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Dor: Não sofra em silêncio!

1 Setembro, 2009 0

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Com a ajuda do doente

Tanto o diagnóstico como o tratamento da dor estão, em boa parte, nas mãos do próprio doente. Desde logo na avaliação da dor: a intervenção médica é muito facilitada se o doente souber localizar a dor, identificar as limitações que ela lhe causa (se afecta a mobilidade ou o sono, por exemplo), caracterizá-la quanto ao tipo e intensidade.

A colaboração do doente é igualmente útil ao longo da terapêutica, nomeadamente no seu cumprimento e na avaliação do seu efeito no controlo da dor. Mas há mais que o doente pode fazer para se ajudar a si próprio.

Manter a actividade física e mental é essencial: fazer exercício de forma regular, mas sem exagerar, mantém o corpo em forma e torna-o mais resistente, enquanto ocupar o tempo com actividades que proporcionem prazer contribui para estimular a mente e distrai-la da dor e suas consequências.

O mesmo benefício é obtido com o convívio social, sendo importante que o doente se mantenha em contacto com familiares e amigos, com eles desfrutando de bons momentos mas também partilhando os sentimentos negativos que possam surgir.

A dor é uma sensação desagradável, penosa. Qualquer dicionário assim a define, com estas ou outras palavras. Mais ainda se for ignorada e negligenciada. Não há que sentir vergonha de se queixar de dor: ela pode parecer insignificante para os outros, até para alguns profissionais de saúde, mas é tudo menos insignificante para quem dela sofre.

Por isso, não sofra em silêncio!

 

Três milhões

Cerca de três milhões são os portugueses que sofrem de dor crónica, correspondendo a 30 por cento da população, de acordo com o “Estudo da Prevalência da Dor Crónica na População Portuguesa”, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e coordenado pelo presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED). Destes portugueses, cerca de 14 por cento que sofrem de dor moderada a grave.

As lombalgias constituem a principal causa de dor crónica, seguidas pelos problemas osteo-articulares, cefaleias, traumatismos e dor póscirúrgica. O cancro corresponde a um por cento da dor crónica.

Quanto ao tratamento, 35 por cento dos doentes com dor crónica avaliados considerou que a sua dor não está bem controlada, sendo que a maioria sustentou que os medicamentos não são eficazes ou que os médicos não conferem a devida atenção à dor.

 

Dor desvalorizada?

A dor das mulheres é desvalorizada face à dos homens, sendo considerada menos verdadeira e menos grave pelos profissionais de saúde, sobretudo quando estes são do sexo masculino.

Esta é a conclusão de um estudo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ICSTE, realizado em 2007 e envolvendo 205 estudantes de enfermagem. A investigação visou perceber quais os factores que influenciam a apreciação da dor dos doentes, nomeadamente a forma como a dor é apresentada e o género de quem a julga.

E concluiu que a dor no doente do sexo feminino é julgada como menos genuína e a sua situação clínica como menos grave e urgente do que a do homem, em contextos de dor aguda e de curta duração ou na ausência de manifestações explícitas de ansiedade. Isto porque se espera que as mulheres sejam mais expressivas, pelo que, quando agem de forma controlada sem recorrer muito aos profissionais de saúde, acabam por ver a sua dor subvalorizada.

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