Dor: Não sofra em silêncio!
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É como se a dor não existisse a não ser para ele, gerando incompreensão por parte de terceiros e levando-o a fechar-se em si mesmo. Até os prestadores de cuidados de saúde podem desvalorizar as queixas do doente, contribuindo para um problema que já não é apenas do foro médico.
Este ciclo de sofrimento fez mesmo com que a dor crónica deixasse de ser encarada como um simples sintoma, passando a ser tratada como uma doença.
Medir e tratar a dor
A dor é, já aqui se disse, uma sensação subjectiva, o que dificulta a sua identificação e, consequentemente, o tratamento. Dificulta mas não impede, na medida em que existem meios complementares de diagnóstico que permitem detectar algumas causas de dor, nomeadamente lesões. Mas nem sempre existe lesão, o que não significa que a dor deva ser menosprezada.
Para a identificar contribuem as escalas de medição da intensidade da dor: são escalas aceites internacionalmente e com as quais os médicos trabalham, mas que carecem da colaboração do doente para serem úteis.
A escala que for utilizada numa primeira medição deve manter-se, de modo a que seja possível comparar a evolução da dor num mesmo doente em momentos sucessivos. Desta forma contorna-se alguma da subjectividade que caracteriza a dor e permite-se um direccionamento mais rigoroso do tratamento.
Porque tratar a dor é imprescindível, dadas as suas repercussões físicas e psicológicas. Apesar de o tratamento da dor aguda e da dor crónica se distinguir, é possível definir duas linhas principais: a terapêutica farmacológica, com recurso a medicamentos, e a não farmacológica, que envolve técnicas como a fisioterapia e outras.
No que respeita aos fármacos, os dirigidos ao tratamento da dor designam-se genericamente como analgésicos, estando disponíveis várias classes, nomeadamente os não opióides (como os anti-inflamatórios não esteróides) e os opióides (como a codeína e a morfina). É em função do diagnóstico e, em particular da intensidade e do carácter crónico ou não da dor, que é feita a selecção dos medicamentos.
No caso da dor crónica podem ainda ser utilizados os chamados fármacos adjuvantes, que, não sendo verdadeiramente analgésicos, contribuem para o controlo da dor actuando sobre os factores que a podem potenciar ou agravar: incluem-se nesta categoria os antidepressivos, os ansiolíticos, os anticonvulsivantes, os corticoesteróides, os relaxantes musculares e os anti-histamínicos.
Em determinadas situações de dor pode ser necessário o recurso a métodos mais invasivos, que envolvem a injecção dos medicamentos próximo do local que provoca a dor ou ao longo do trajecto dos nervos que conduzem a sensação dolorosa.
Já o tratamento não farmacológico implica, como o nome indica, outras abordagens que não os medicamentos. A fisioterapia é uma delas, envolvendo o movimento controlado das partes do corpo mais afectadas pela dor, visando restaurar a funcionalidade de articulações e músculos. A estimulação eléctrica cutânea, o relaxamento, as estratégias de redução de stress são também alternativas.
E dadas as implicações da dor na vida dos doentes, o tratamento pode ser complementado com apoio psicológico. A psicoterapia pode revelar-se útil para lidar com o efeito negativo da dor na mobilidade, na comunicação e nos relacionamentos.

