Diagnosticar e tratar precocemente as doenças da próstata
Realizou-se em Junho o Congresso da Associação Portuguesa de Urologia (APU) onde foram debatidas as principais doenças urológicas com a presença de especialistas nacionais e estrangeiros. O Jornal do Centro de Saúde marcou presença e conta-lhe as novidades de tratamento para a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP).
A HBP, do ponto de vista epidemiológico, é uma doença muito frequente que se instala geralmente de forma lenta, afectando praticamente todos os homens a partir dos 40 anos. Ainda assim, muitos homens não chegam a ter sintomas.
“De facto, a instalação de sintomas depende sempre de várias condições: velocidade de crescimento da HBP, do modo como ocorre esse crescimento, das características do tecido que se hiperplasia, factores que em conjunto vão condicionar menor ou maior grau de obstrução”, revela Avelino Fraga, director do serviço de Urologia do Hospital Geral de Santo António, no Porto.
Os sintomas urinários baixos podem ser classificados, segundo o especialista, de “obstrutivos e/ou irritativos e podem ser leves, moderados ou graves, conforme a repercussão clínica e o impacto da qualidade de vida dos doentes. Esta doença é progressiva e poderá condicionar a introdução de terapêutica ou a indicação cirúrgica, sendo a necessidade de tratamento determinada pela intensidade dos sintomas mas também pela possível repercussão sobre o aparelho urinário”, defende Avelino Fraga.
Novidades no tratamento
As linhas de orientação actuais recomendam que os doentes sejam tratados com alfa bloqueantes ou os inibidores de 5 alfa redutase ou ainda a associação de ambas as classes de medicamentos, que constituem fármacos eficazes e com poucos efeitos laterais, habitualmente muito bem tolerados.
Os alfa bloqueantes são medicamentos que actuam sobre “o tónus do músculo liso, reduzindo a componente dinâmica da obstrução, fornecendo um rápido alívio dos sintomas”, explica o urologista. Por outro lado, os “inibidores de 5 alfa redutase são mais lentos a actuar mas reduzem o risco de progressão da doença”.
Quando a HBP é moderadamente sintomática deve ser tratada e o tratamento depende da análise de vários factores, “como a idade do doente, a intensidade dos sintomas, o risco da doença evoluir para retenção urinária e sobretudo da análise do custo / benefício para o doente”, defende Avelino Fraga.
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Mais recentemente foi publicado o estudo CombAT sobre a terapêutica de associação (combinação de Dutasterida e Tansulosina). O mesmo envolveu 2925 doentes europeus, com sintomas moderados a graves, tendo participado cinco centros portugueses num total de 75 doentes portugueses.
“Este estudo permitiu avaliar a eficácia e a segurança da terapêutica de associação em doentes, com critérios de inclusão indicativos de forte possibilidade de progressão da HBP”, afirma Avelino Fraga. Ao longo do período de tratamento, verificou-se neste estudo que a terapêutica de associação foi bem tolerada, “tendo a ocorrência de efeitos adversos sido rara, sendo as queixas relativas à esfera sexual as mais frequentes – disfunção eréctil, disfunção ejaculatória, diminuição da libido”.
Contudo, deve referir-se que “a terapêutica de associação quando comparada com a monoterapia apresenta obviamente maior incidência de efeitos laterais, sendo contudo rara a necessidade de suspender a terapêutica”, acrescenta o especialista.
Nem sempre é fácil escolher o melhor tratamento para esta doença. No entanto, para o urologista do Hospital de Santo António, “esta análise veio permitir concluir que a terapêutica da associação, efectuada a longo prazo, em homens com HBP e sintomas moderados a severos, reduz o risco de progressão da patologia, de retenção urinária e cirurgia por HBP, contribuindo para o alívio de sintomas”.

