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Diagnosticar e tratar precocemente as doenças da próstata

29 Fevereiro, 2012 0

 

Novidades no tratamento

As linhas de orientação actuais recomendam que os doentes sejam tratados com alfa bloqueantes ou os inibidores de 5 alfa redutase ou ainda a associação de ambas as classes de medicamentos, que constituem fármacos eficazes e com poucos efeitos laterais, habitualmente muito bem tolerados.

Os alfa bloqueantes são medicamentos que actuam sobre “o tónus do músculo liso, reduzindo a componente dinâmica da obstrução, fornecendo um rápido alívio dos sintomas”, explica o urologista. Por outro lado, os “inibidores de 5 alfa redutase são mais lentos a actuar mas reduzem o risco de progressão da doença”.

Quando a HBP é moderadamente sintomática deve ser tratada e o tratamento depende da análise de vários factores, “como a idade do doente, a intensidade dos sintomas, o risco da doença evoluir para retenção urinária e sobretudo da análise do custo / benefício para o doente”, defende Avelino Fraga.

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Mais recentemente foi publicado o estudo CombAT sobre a terapêutica de associação (combinação de Dutasterida e Tansulosina). O mesmo envolveu 2925 doentes europeus, com sintomas moderados a graves, tendo participado cinco centros portugueses num total de 75 doentes portugueses.

“Este estudo permitiu avaliar a eficácia e a segurança da terapêutica de associação em doentes, com critérios de inclusão indicativos de forte possibilidade de progressão da HBP”, afirma Avelino Fraga. Ao longo do período de tratamento, verificou-se neste estudo que a terapêutica de associação foi bem tolerada, “tendo a ocorrência de efeitos adversos sido rara, sendo as queixas relativas à esfera sexual as mais frequentes – disfunção eréctil, disfunção ejaculatória, diminuição da libido”.

Contudo, deve referir-se que “a terapêutica de associação quando comparada com a monoterapia apresenta obviamente maior incidência de efeitos laterais, sendo contudo rara a necessidade de suspender a terapêutica”, acrescenta o especialista.

Nem sempre é fácil escolher o melhor tratamento para esta doença. No entanto, para o urologista do Hospital de Santo António, “esta análise veio permitir concluir que a terapêutica da associação, efectuada a longo prazo, em homens com HBP e sintomas moderados a severos, reduz o risco de progressão da patologia, de retenção urinária e cirurgia por HBP, contribuindo para o alívio de sintomas”.

 

Gestão individualizada da terapia

Stephan Madersbacher, urologista do Departamento de Urologia e Andrologia do Donauspital, na Áustria, presente no Congresso da APU, explicou ao Jornal do Centro de Saúde que “existe uma grande variedade de terapêuticas, dependendo de como estes doentes se apresentam, no que se refere à idade e aos riscos individuais de progressão da doença”. Há 20 anos, os doentes contavam quase unicamente com a intervenção cirúrgica. “Se o doente nos chega à consulta com sintomas ligeiros, não sugerimos nenhum tratamento e verificamos como evolui a doença. Se nos chegar num estado intermédio, deve então fazer a terapêutica médica adequada”, revela o urologista austríaco.

Co-autor de algumas guidelines europeias, Stephan Madersbacher defende que as mesmas “facultam orientações bem definidas baseadas na evidência actualizada. Em Portugal, no que respeita ao tratamento médico, este não se fundamenta na maioria dos casos na evidência clínica mais recente”, diz-nos. Defensor da terapia individualizada e da gestão da doença caso a caso, explica que “não existe uma única terapêutica que se adeqúe a todos os casos e/ou doentes”. Para o urologista, a HBP torna-se muito problemática e incomodativa quando os sintomas do tracto urinário inferior impedem que os homens deixem de ir ao cinema, ao teatro, tenham de sair várias vezes de uma reunião para ir à casa de banho, situações que criam grande impacto nestes doentes.

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