Diabetes infantil: Preparado para compreender a doença?
A frequência da diabetes está a aumentar em crianças e adolescentes, a um ritmo assustador. Um pouco por todo o mundo, surge a preocupação de “não permitir que mais crianças morram de diabetes”, numa altura em que existem cerca de 75 mil crianças sem acesso à insulina e à vigilância das suas glicemias, a nível mundial. O slogan do Dia Mundial da Diabetes alerta consciências.
Pelo segundo ano consecutivo, a Federação Internacional da Diabetes (IFD) dedica o dia mundial da diabetes, a realizar-se no próximo dia 14 de Novembro, às crianças e aos adolescentes. O grande objectivo deste ano é aumentar o conhecimento sobre a doença e chamar mais uma vez à atenção das entidades e da população em geral sobre o grave problema da diabetes nas crianças e adolescentes.
“Quando falamos em diabetes temos de separar duas situações: a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2. A primeira é de longe a mais frequente nas crianças e jovens adultos e há a necessidade de se fazer insulina logo desde o início, não havendo prevenção eficaz. É uma doença auto-imune”, explica a Dr.ª Cristina Valadas, endocrinologista da A.P.D.P. e secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).
De há uns anos para cá, começou a surgir, em Portugal, a diabetes tipo 2 “em idades mais precoces e nos adolescentes, fruto de alterações, do estilo de vidas, como o sedentarismo, o recurso sistemático ao fast-food, etc.” A prevenção faz sentido neste tipo de diabetes e passa, sobretudo, pela aquisição de hábitos de vida mais saudáveis, nomeadamente, a prática de exercício físico e uma alimentação equilibrada.
Tolerância à terapêutica
“Uma criança com diabetes tipo 1 necessita de fazer insulina, desde muito cedo. É necessário conseguir que a criança e os seus familiares façam um tratamento que, teoricamente, é contrário à sua própria natureza, pois picar-se é uma agressão ao seu próprio corpo, o que é de difícil aceitação pelo jovem com diabetes”, salienta Cristina Valadas. Os pais surgem como os principais intervenientes na aceitação da doença por parte das crianças. “Devem dar-lhe um ambiente de atenção, de tranquilidade e de protecção não excessiva”, acrescenta a médica endocrinologista.
Uma vez aceite, a diabetes acaba por fazer parte do dia-a-dia normal de uma criança com a doença. “O tratamento deve ser tão habitual como lavar os dentes, comer e tomar banho”, defende a especialista. “A vida de um diabético é um exemplo para os não diabéticos. A educação terapêutica ajuda a conviver com estas situações, as quais, com o passar dos tempos vão sendo melhor conhecidas. Se o controlo metabólico for bom, o doente diabético pode evitar as complicações dos pequenos e dos grandes vasos bem como as complicações agudas”, acrescenta o Prof. Luís Medina, Presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo.
Além da terapêutica, é importante saber que, “actualmente, não são colocadas restrições a uma criança com diabetes. Sabe-se que não deve comer doces todos os dias, mas mesmo sem a doença não o devem fazer”. As crianças diabéticas devem saber controlar as doses de insulina e ajustá-las à quantidade que vão ingerir. “São crianças como todas as outras, devendo manter os mesmos hábitos de vida saudáveis”, reforça Cristina Valadas.

