Diabetes infantil: Preparado para compreender a doença?
Uma vez aceite, a diabetes acaba por fazer parte do dia-a-dia normal de uma criança com a doença. “O tratamento deve ser tão habitual como lavar os dentes, comer e tomar banho”, defende a especialista. “A vida de um diabético é um exemplo para os não diabéticos. A educação terapêutica ajuda a conviver com estas situações, as quais, com o passar dos tempos vão sendo melhor conhecidas. Se o controlo metabólico for bom, o doente diabético pode evitar as complicações dos pequenos e dos grandes vasos bem como as complicações agudas”, acrescenta o Prof. Luís Medina, Presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo.
Além da terapêutica, é importante saber que, “actualmente, não são colocadas restrições a uma criança com diabetes. Sabe-se que não deve comer doces todos os dias, mas mesmo sem a doença não o devem fazer”. As crianças diabéticas devem saber controlar as doses de insulina e ajustá-las à quantidade que vão ingerir. “São crianças como todas as outras, devendo manter os mesmos hábitos de vida saudáveis”, reforça Cristina Valadas.
Novidades no tratamento
As bombas infusoras de insulina são uma das formas de tratamento dos diabéticos, embora não sejam indicadas para todos os doentes. “Vão ser comparticipadas a 100%, desde que sejam prescritas em centros considerados certificados por uma comissão criada para o efeito, sob alçada da Direcção Geral da Saúde; o mesmo acontecerá com os consumíveis, como os cateteres, por exemplo. O número de bombas a atribuir anualmente será no máximo de 100. Vai ser criada uma comissão para estudar as candidaturas de fornecimento de bombas infusoras, a qual tem trabalhado afincadamente para definir os critérios de selecção”, informa Luís Medina.
Podemos referir algumas novidades respeitantes à investigação que tem sido feita sobre o transplante de células produtoras de insulina. “Nestes casos, tem que se utilizar pâncreas de dadores para serem extraídos os ilhéus, separar as células e introduzi-las no fígado pela via da veia porta; as células vão ficar alojadas no fígado onde adquirem condições para continuarem a produzir insulina”, adianta Luís Medina. Infelizmente, a técnica de isolamento das células é muito complexa e obriga a laboratórios altamente sofisticados. “Por outro lado, esta técnica funciona durante quatro a cinco anos, ao fim dos quais, os ilhéus entram novamente em falência. Esta não põe em risco a vida do doente, porque retoma-se a injecção da insulina. Procuram-se novas técnicas para permitir maior sobrevivência a estas células”, acrescenta.
Testemunho
Ultrapassado o choque, veio a aceitação da doença
Rita Santos é uma jovem diabética. A doença sempre fez parte da sua vida e alguns sintomas fora do normal levaram-na ao Hospital Dona Estefânia, onde esteve internada algum tempo para que os pais aprendessem a administrar a insulina injectável. Depois de ultrapassado o choque, consegui adaptar-se às circunstâncias da doença. “Todos os meus colegas sabem que sou diabética e conhecem a forma de me dar uma injecção de emergência, caso necessário.”
Rita sabe que ainda existem alguns preconceitos relativamente à diabetes. “Todo o diabético pode comer doces. Não tenho de ter uma alimentação diferenciada dos outros jovens e não sou obrigada a ter restrições. Tenho apenas de ter cuidados com a terapêutica”, diz. Rita Santos é, actualmente, estudante de Medicina e ambiciona “pôr as pessoas a mexerem-se, a fazer exercício físico e a preocuparem-se com elas próprias”, conclui.

