As várias faces da hepatite
Hepatites há-as causadas por bactérias e por vírus, mas também pelo álcool, por medicamentos e até pelo próprio sistema imunitário: mas, causas à parte, quem sofre é o fígado.
O fígado é a principal vítima das diversas hepatites: todas atacam este órgão complexo em que acontecem reacções químicas vitais para o organismo. Mas nem todas as hepatites são iguais – não só porque são causadas por diferentes agentes, como porque apresentam gravidades muito distintas, algumas ultrapassando-se apenas com repouso, outras implicando tratamentos prolongados ou mesmo um transplante. Casos há em que a vida está claramente em risco.
Doenças infecciosas, tanto podem ter na origem bactérias como vírus ou ainda o consumo de produtos tóxicos como o álcool mas também alguns medicamentos. E há ainda as hepatites auto-imunes, aquelas que resultam de uma perturbação do sistema imunitário, que começa a desenvolver anticorpos que atacam as células do fígado, em vez de as protegerem.
As mais comuns são, contudo, as virais, cujas seis faces até agora conhecidas a seguir se apresentam nos seus contornos essenciais.
A – Não se torna crónica
É mais frequente nos países menos desenvolvidos, tendo começado a diminuir em Portugal à medida que o saneamento básico se foi generalizado. Está associada a deficientes condições de higiene dado o seu modo principal de transmissão – através de água ou alimentos contaminados por dejectos.
As crianças e os adolescentes são mais vulneráveis, dado que o seu sistema imunitário não está ainda completamente desenvolvido. O vírus é absorvido no aparelho digestivo, multiplicando-se no fígado e inflamando-o.
Causada pelo vírus VBA, esta forma de hepatite é considerada uma doença aguda que se cura num curto espaço de tempo sem necessidade de internamento hospitalar ou de um tratamento específico. Repouso moderado e uma alimentação rica em calorias e pobre em gorduras é a forma de recuperar.
Em 90 por cento dos casos é assintomática, o mesmo é dizer que se manifesta sem sintomas específicos. Porém, eles existem – mal-estar, fadiga, náusea, vómitos, desconforto abdominal sob as costelas direitas, febre na fase inicial, urina muito escura, fezes descoradas, amarelecimento dos olhos.
Vinte a 40 dias é quanto o vírus leva a incubar, sendo que ao fim de três semanas, em regra, o doente já está recuperado. Normalmente, o vírus desaparece sem deixar vestígios, surgindo anticorpos protectores que impedem nova infecção. Raramente é fatal, embora em adultos afectados por uma doença hepática crónica – originada por outro vírus ou pelo consumo excessivo de álcool – possa provocar a falência do fígado, conhecida por hepatite fulminante. Contudo, o risco é muito baixo – de um para mil ou mesmo para 10 mil.
Contra o VHA existe uma vacina, descoberta em 1991, e que garante protecção por, pelo menos, dez anos. Desde Outubro último que pode ser administrada na farmácia, estando disponíveis várias apresentações da vacina – uma que oferece protecção apenas contra a hepatite A e outra combinada, que também protege contra a B. Uma terceira variante conjuga a imunização contra a hepatite A e a febre tifóide.

