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As várias faces da hepatite

6 Junho, 2009 0

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B – A mais perigosa

É causada pelo VHB, estimando-se que em Portugal existam cerca de 120 mil a 150 mil portadores crónicos. É de todas as hepatites a mais perigosa, dado o elevado grau de infecciosidade do vírus – 50 a 100 vezes mais do que o da sida.

É através do contacto com o sangue e os fluidos corporais de uma pessoas infectada que se transmite o vírus da hepatite B, à semelhança do que acontece com o da sida. Aliás, as duas doenças andam frequentemente de mãos dadas. Uma outra forma de contágio, também comum às duas doenças, é a transmissão de mãe para filho durante o parto. Nos países em desenvolvimento esta é, aliás, a forma mais grave de transmissão, com a maioria dos infectados a contrair o vírus durante a infância.

Já nos países industrializados, em que se inclui o nosso, o vírus é transmitido sobretudo aos jovens adultos por via sexual e através da partilha de seringas entre os utilizadores de drogas injectáveis.

Os diferentes cenários têm uma explicação: é que nos países desenvolvidos, as crianças são protegidas pela vacina, cuja eficácia é de 95 por cento. A vacina contra a hepatite B faz mesmo parte de 116 programas nacionais de vacinação, entre eles o português. É administrada em três doses, sendo também possível a vacinação na farmácia a maiores de 18 anos.

Na maioria das vezes, a infecção declara-se sem sintomas ou com queixas não específicas, como cansaço, desconforto abdominal sob as costelas direitas e dores nas articulações.

Num terço dos infectados, o vírus provoca hepatite aguda e um em cada mil pode ser vítima de hepatite fulminante. Em dez por cento dos casos, a doença torna-se crónica, uma situação mais frequente nos homens.

 

C – Ainda sem vacina

É conhecida como a “epidemia silenciosa” pela forma como o número de portadores crónicos tem aumentado em todo o mundo e pelo facto de os infectados poderem não apresentar qualquer sintoma, durante 10, 20 ou mesmo 30 anos, e sentir-se de perfeita saúde. Calcula-se que existam 170 milhões de portadores crónicos (cerca de três por cento da população mundial), dos quais nove milhões são europeus. Destes, entre 150 mil a 200 mil são portugueses, com Portugal a apresentar das mais altas taxas de contaminação pelo VHC. Embora seja um vírus que atinge 60 a 80 por cento dos toxicodependentes, todos os que foram submetidos a operações e/ou transfusões de sangue antes de 1992, os ex-combatentes e as mulheres que fizeram abortos devem fazer o rastreio.

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Uma vez no organismo humano, este vírus pode levar até 150 dias a incubar, com a particularidade de, à semelhança do vírus da sida, ser capaz de se modificar e camuflar, o que dificulta uma resposta adequada do sistema imunitário. Só 25 a 30 por cento dos infectados apresentam sintomas da doença, os quais podem oscilar entre letargia, mal-estar geral e intestinal, febre, perda de apetite, intolerância ao álcool, icterícia e problemas de concentração. Muitas vezes são queixas muito parecidas com as de uma gripe.

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