As várias faces da hepatite
Cerca de 20 por cento dos infectados recuperam espontaneamente, mas a maioria passa a sofrer de hepatite crónica. Destes, 20 por cento dos casos podem evoluir para cirrose ou cancro no fígado, uns em poucos anos, outros ao longo de décadas.
Esta é uma doença mais comum no sexo masculino e nos consumidores de álcool (que estimula a multiplicação do vírus e diminui as defesas imunitárias).
É principalmente por via sanguínea que se transmite o vírus da hepatite C – um corte ou uma pequena ferida é quanto basta, sendo frequente o contágio através da partilha de seringas. A transmissão por via sexual é rara, havendo ainda o risco de uma mãe infectar o filho durante o parto. Na ausência de uma vacina, o melhor é prevenir – deve, acima de tudo, evitar-se o contacto com sangue infectado, o que significa, por exemplo, não partilhar escovas de dentes, lâminas, tesouras, corta unhas ou outros objectos de uso pessoal.
D – À boleia da hepatite B
A inflamação do fígado causada pelo vírus VHD ocorre apenas em simultâneo com a acção de um outro vírus, o causador da hepatite B. O mesmo é dizer que a hepatite D só surge por co-infecção ou superinfecção, com 40 por cento dos portadores a desenvolverem cirrose.
Nos últimos anos, tem-se assistido nos países desenvolvidos a uma diminuição da hepatite D, que em Portugal é considerada rara. Transmite-se sobretudo a partir do sangue e seus derivados, bem como pelo contacto com seringas infectadas, o que explica a prevalência entre toxicodependentes e hemofílicos (que necessitam de transfusões dos factores sanguíneos em défice no seu organismo).
No caso de uma co-infecção (infecção simultânea pelos vírus B e D), a hepatite B pode ser severa ou mesmo fulminante, mas raramente evolui para uma forma crónica; a situação oposta ocorre com a superinfecção, que provoca hepatites crónicas em 80 por cento dos casos, dos quais 40 por cento acabam em cirrose.
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E – Endémica nos trópicos
Em Portugal, como noutros países ditos industrializados, a infecção do fígado causada pelo vírus VHE é rara, mas nas regiões tropicais foi já responsável por graves epidemias.
Nas zonas em que é endémica, é de 33 por cento a taxa de mortalidade infantil causada pela hepatite E e de 20 por cento a taxa de mortalidade de mulheres grávidas, se contraírem o vírus no terceiro trimestre de gravidez.
Descoberta em 1980, incide sobretudo nos adultos entre os 15 e os 40 anos. Pode ser fulminante, mas quase sempre cura-se espontaneamente.
À falta de tratamento específico, devem evitar-se medicamentos que possam ser tóxicos para o fígado.
G – A mais jovem de todas
De facto, a hepatite G só foi descoberta em 1995, calculando-se que corresponda a 0,3 por cento das hepatites virais. Por ser recente, desconhecem-se ainda todas as formas de contágio possíveis, mas sabe-se que se transmite sobretudo por contacto sanguíneo – assim, poderão estar em risco nomeadamente as pessoas que partilham seringas e as que são sujeitas a transfusões de sangue.

