Infecções respiratórias na infância

Nos casos de congestão nasal, quando há secreções e estas são espessas, é necessário torna-las mais fluídas para facilitar a sua expulsão. Isto consegue-se sem necessidade de recorrer a medicamentos, mediante a aplicação nasal de soro fisiológico ou soluções salinas para ajudar a remover as secreções e desentupir o nariz, e assoando o nariz da criança regularmente; em crianças que ainda não sabem assoar-se pode utilizar-se um aspirador nasal para remover o muco, tomando os devidos cuidados para não lesar a mucosa nasal. A inalação de vapor de água ou os aerossóis com soro fisiológico, são igualmente medidas que favorecem a fluidificação das secreções.
Em todos os casos recomenda-se uma maior ingestão de líquidos. Se estas medidas se revelarem insuficientes, o profissional de saúde poderá recomendar descongestionantes nasais.
Mais uma vez o aconselhamento farmacêutico é indispensável para saber tirar partido do uso do medicamento.
Importa não esquecer que o uso excessivo (e por mais de 3 dias) dos descongestionantes nasais aparece associado a um conjunto de efeitos secundários que podem mesmo levar ao agravamento da congestão nasal. No tocante à dor de ouvidos, quando houver dores mais intensas, pode vir a ser necessário dar um medicamento para alívio da dor. Também nestes casos deve-se saber contar com o aconselhamento farmacêutico para seleccionar o medicamento mais seguro e adequado tendo, no entanto em consideração que a dor de ouvidos em menores de 2 anos devem ser tratadas exclusivamente pelos médicos.
Passando para as IR do tracto respiratório inferior, o destaque vai para a bronquiolite aguda e para a pneumonia. Estas infecções caracterizam-se geralmente por febre alta e dificuldade em respirar que se manifesta por movimentos respiratórios rápidos, sibilos, dilatação e retracção rápida das narinas; na presença destes sintomas, os pais devem, de imediato procurar o médico.
As IR e o aconselhamento farmacêutico
O aconselhamento farmacêutico é valioso na indicação de medidas não farmacológicas e medicamentos para alívio de sintomas associados a IR.
Pode ainda representar uma ajuda preciosa na identificação de sintomas que devem levar a consultar de imediato o médico.
O que adiante se segue são alguns exemplos de como o aconselhamento farmacêutico é incontornável e deve ser exigido sempre que há sintomas de IR na criança.
- No caso da constipação, a escolha do medicamento tem de ser criteriosa e baseada nos sintomas apresentados. Esta escolha deve ser efectuada pelo farmacêutico a quem compete recomendar o medicamento baseado na informação que o doente lhe presta quanto às queixas;
- A prevenção da gripe é conseguida fundamentalmente através da vacinação. Podem ser vacinadas crianças com idades superiores a 6 meses (as crianças com menos de 6 meses não podem ser vacinadas mas podem ser protegidas mediante vacinação da mãe durante o 2º ou 3º trimestre da gravidez);
- É de esperar do farmacêutico que coloque questões aos pais ou encarregados de educação quando vêm à farmácia para encontrar um medicamento de alívio ou conforto para as IR na criança: quais as queixas, a intensidade, se já está a tomar outros medicamentos, entre outras. De igual modo, dará conselhos quanto às razões porque indica este ou aquele fármaco, como deverá ser tomado, cuidados a seguir com a toma;
- Os pais e os encarregados de educação devem estar informados sobre as medidas de prevenção do contágio de IR e sensibilizados para os fatores ambientais ou de estilo de vida que devem ser corrigidos para assegurar um maior bem-estar à criança.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF

