Terapêuticas oncológicas: Esperança de vida
A eficácia da radioterapia está dependente de factores como a sensibilidade do tumor à radiação, a sua localização e oxigenação, bem como da qualidade e quantidade de radiação e a duração do tratamento.
Por sua vez, a quimioterapia traduz-se na utilização de fármacos para matar as células cancerígenas.
Esses fármacos podem ser administrados oralmente, sob a forma de comprimidos, ou através de uma injecção intravenosa (na veia), entre outras vias de administração. Em ambos os casos, os químicos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo – terapêutica sistémica.
A luta contra o cancro é uma verdadeira corrida de fundo. E, apesar dos enormes saltos científicos e tecnológicos, esta doença caminha a passos largos para ser a primeira causa de morte em Portugal.
Dor e sofrimento adquirem uma singular simbiose com esperança e alento, o que permite percorrer e esgotar as alternativas de tratamento em prol de uma melhor qualidade e de uma vida mais longa. Neste trajecto, a cirurgia é quase indissociável da quimioterapia e da radioterapia. E sendo armas úteis neste combate, comportam riscos e alguns sacrifícios. Cada sessão pode envolver desconforto, cansaço, náuseas e vómitos, seguindo-se da eventual queda de cabelo, que afecta emocionalmente, em particular as mulheres, correspondendo a uma dose adicional de fragilidade.
Antes ou depois da intervenção cirúrgica para a remoção total ou parcial do tumor, os tratamentos são forma de cura ou de mitigação do galope das células cancerígenas.
Assim, a quimioterapia consiste na administração de medicamentos que actuam sobre as células cancerosas, visando a sua destruição, controlando ou impedindo o seu crescimento e aliviando os sintomas causados pelo desenvolvimento do tumor. Esses medicamentos podem ser ministrados por via oral (sob a forma de comprimidos), por via endovenosa, por punção lombar ou ou através de injecções subcutâneas ou intramusculares, sendo as três primeiras formas as mais frequentes.
É perante um tumor concreto e consoante o estádio de desenvolvimento da doença que o médico escolhe o tipo de fármaco, a quantidade a ser utilizada e a forma de administração.
A mesma avaliação ditará se as tomas são diárias, semanais ou mensais.
Em regra, utiliza-se a chamada poliquimioterapia, que consiste na aplicação combinada de vários fármacos.
Esta é uma opção terapêutica em que se optimiza a actuação dos diversos fármacos, reduzindo-se a resistência do tumor a cada um desses medicamentos e obtendo-se uma maior resposta por cada dose administrada.
A quimioterapia pode estar indicada antes ou após uma cirurgia ou radioterapia, ou ainda isoladamente, sem que haja intervenção cirúrgica, mas também em conjunto com outras técnicas, como a radioterapia (caso em que se chama quimioradiação).
Consoante o tipo de abordagem, a quimioterapia pode ser curativa; adjuvante do tratamento quando administrada após o tratamento cirúrgico ou a radioterapia, com o objectivo de destruir células residuais e reduzir a probabilidade de ocorrerem metástases; prévia ao tratamento com o objectivo de reduzir parcialmente o tumor (quimioterapia neo-adjuvante) ou paliativa.
Assim, quando o objectivo é o controlo total do tumor, a quimioterapia é tida como curativa, mas quando a técnica é utilizada para melhorar a qualidade da sobrevida do doente, não tendo finalidade curativa, fala-se em quimioterapia paliativa.

