O sabor doce leva-nos a comer mais?
A ingestão de alimentos é regida por vários mecanismos, fisiológicos e psicológicos, que agem em paralelo fornecendo mensagens hormonais e nervosas ao cérebro. Os receptores que existem ao longo do aparelho digestivo transmitem informações sobre as características sensoriais dos alimentos, o volume do que é ingerido, a natureza e a quantidade dos nutrientes.
Outros mecanismos informam o cérebro acerca do estado de energia do corpo. Por outro lado, a componente afectiva ligada ao prazer que os alimentos nos provocam também é afectada enquanto comemos – à medida que vamos comendo e nos sentimos “mais cheios”, o prazer vai diminuindo e somos impelidos a parar.
Os efeitos do açúcar e do sabor doce no apetite são complexos: a evidência sugere que o apetite pode aumentar, diminuir ou manter-se na sequência do consumo de um produto de sabor doce.
Tendo o corpo mecanismos fisiológicos pelos quais detecta as calorias consumidas, é possível que o açúcar seja um inibidor do apetite, devido à doçura estar associada ao input calórico. De notar que é considerado provável que estes mecanismos sejam menos sensíveis no caso das bebidas do que dos alimentos sólidos. Ou seja, as calorias líquidas não seriam tão bem detectadas pelo corpo, de modo que os ajustes ao input calórico serão mais imprecisos e incompletos.
Em estudos efectuados em recém-nascidos pela observação do seu comportamento e reacções, designadamente, na expressão facial pode comprovar-se a preferência inata do Ser Humano pelo gosto doce (o leite materno é doce).
É por isso absolutamente natural que o gosto doce dê uma resposta de satisfação e prazer elevado no momento da sua ingestão. É, também, natural que imediatamente a seguir ao seu contacto com a boca possa haver, nesta fase, um reforço positivo para a sua ingestão, ou seja, vontade de comer mais.
A situação é normalíssima, só podendo apresentar grau de preocupação se a pessoa passar a utilizar alimentos ou bebidas doces de forma excessiva, como fonte preferencial para obtenção de prazer ou como modo de gestão de stress.
Muitos cientistas no campo da nutrição concordam e subscrevem o papel importante e relevante que o doce deve desempenhar numa dieta equilibrada.
A Declaração Científica*, assinada em Bruxelas (20.06.2006), assume:
A) A aceitação do doce é inata e universal. O doce indica aos mamíferos recém-nascidos, alimentos e bebidas seguras e nutritivas, enquanto o amargo indica um potencial risco.
B) Dos cinco gostos mais reconhecidos, três destes são sinal de aceitação (doce, salgado e umami 1), enquanto os outros dois são de rejeição (azedo e amargo).
C) Os seres humanos têm procurado, ao longo da história, doces, bebidas doces e adoçantes, continuando o doce a ser decisivo na selecção dos alimentos e bebidas e influenciando a vida moderna.
D) Existem diferentes fontes de açúcar na natureza para além da cana-de-açúcar, beterraba e milho, tais como frutas, vegetais, leite, etc.
E) O desejo por doces é também satisfeito por adoçantes intensos, adoçantes de baixo valor energético ou por uma combinação destes.
Páginas: 1 2

