Fumos nocivos
É a exposição prolongada a fumos e poeiras que causa a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. O tabaco está em primeiro lugar, pelo que os fumadores constituem a maioria dos doentes. Mas há outros: trabalhadores expostos a fumos, poeiras e químicos também sentem a mesma dificuldade em respirar.
O nome diz tudo: doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) – é uma doença que se caracteriza pela obstrução persistente das vias respiratórias e diminuição dos débitos expiratórios. Na maioria das vezes, a obstrução é progressiva, embora possa ser parcialmente reversível ou acompanhada de hiperreactividade brônquica com danos para os pulmões. A dificuldade em respirar, mais ou menos acentuada, é comum aos doentes, que se calcula sejam mais de cinco por cento da população portuguesa.
São na sua maioria homens e fumadores, mas a proporção de mulheres tende a aumentar uma vez que também elas fumam cada vez mais. Mas os fumadores não são os únicos a sofrer com a obstrução respiratória: partilham o risco com as pessoas que, por motivos profissionais, estão expostas prolongadamente a fumos, químicos e poeiras. É o caso, por exemplo, dos bombeiros envolvidos no combate a incêndios e é o caso de quem trabalha na indústria química ou em serrações e carpintarias.
É ainda o caso de quem partilha actividades lúdico-desportivas como a columbofilia: as poeiras que se libertam com o esvoaçar dos pombos são nocivas para os pulmões. No entanto, provocam uma doença pulmonar específica que, sem tratamento, evolui em geral para doença pulmonar restritiva, com fibrose pulmonar e raramente obstrutiva em fases avançadas. Aliás, num fumador, por exemplo, os gases dos escapes automóveis agravam o risco, sobretudo quando se é fumador de longa data (há mais de dez anos).
É claro que os não fumadores também podem sofrer desta doença, desde que expostos ao chamado fumo passivo, mas a probabilidade é naturalmente muito inferior. E mesmo entre os fumadores há diferenças: fumar cigarros é pior do que charutos ou cachimbo.
Em matéria de risco há ainda que contar com um que não é controlável e que algumas pessoas correm por via da hereditariedade – a deficiência de alfa1-antitripsina, uma proteína que protege as estruturas elásticas dos pulmões dos efeitos destrutivos de determinadas enzimas. Baixos níveis podem conduzir a danos progressivos nos pulmões e a obstrução respiratória.
Esta é uma deficiência hereditária que acontece quando se herdam dois genes defeituosos, um de cada progenitor. Os portadores correm um maior risco de doenças pulmonares e hepáticas, transmitindo-o aos filhos. Nestas pessoas, a probabilidade de desenvolverem DPOC é agravada pelo tabagismo.
Uma tosse suspeita
O tabaco continua, pois, a ser o principal suspeito. Riscos à parte, o facto é que as consequências da DPOC só são visíveis a prazo: a doença vai-se desenvolvendo ao longo dos anos, manifestando-se através de sinais a que os doentes se vão habituando, ao ponto de os considerarem “normais”: a dificuldade em respirar acompanhada ou não de sibilos, uma tosse crónica, mais severa ao acordar e cansaço com esforço progreessivo.

