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Fumos nocivos

24 Novembro, 2009 0

A doença pulmonar obstrutiva crónica é para toda a vida. O mesmo é, pois, válido para a terapêutica. E há ainda que prever algumas complicações, nomeadamente uma maior probabilidade de ocorrência de constipações, gripes e pneumonias. Daí que a estes doentes seja recomendada a vacina anti-gripal anual.

O ideal é prevenir a doença propriamente dita. Mas, quando ela já se instalou, continua a ser possível prevenir as suas complicações. Como? Além de deixar de fumar, há que evitar a exposição a substâncias que possam irritar as vias respiratórias; há que praticar exercício, nomeadamente técnicas que estimulem a capacidade respiratória; há que beber líquidos em abundância de modo a manter as vias respiratórias lubrificadas e limpas; há que evitar as mudanças bruscas de temperatura e as infecções respiratórias; e há que praticar uma alimentação saudável e manter um peso adequado.

Para viver o melhor possível, apesar da DPOC. Uma mensagem sublinhada todos os anos, a 17 de Novembro, o dia mundial de sensibilização para esta doença que, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, causa todos os anos a morte a 8,7 por cada 100 mil habitantes.

 

Uma doença com duas faces

A DPOC é uma doença com duas faces: a bronquite crónica e o enfisema, que se distinguem, nomeadamente, por implicarem partes específicas do sistema respiratório.

Nos pulmões, consideram-se as chamadas vias respiratórias, constituídas pelos brônquios e pelos bronquíolos, e os reservatórios de ar, os alvéolos, semelhantes a pequenos sacos dispostos em cachos. Quando respiramos – e fazemo-lo através da traqueia – o ar move-se pelos tubos brônquicos em direcção aos alvéolos: daí o oxigénio entra no sangue, enquanto o dióxido de carbono faz o percurso inverso.

Quando se sofre de bronquite crónica, o revestimento dos brônquios e bronquíolos fica inflamado, havendo também uma produção excessiva de muco. É este muco e o estreitamento provocado pela inflamação que vão bloqueando as vias respiratórias e, em consequência, dificultando a passagem do ar. Já quando se tem enfisema, são os alvéolos os lesados: dilatam-se, as suas paredes entram em colapso e deixam de conseguir reter ar em quantidade suficiente, o que dificulta as trocas ao nível do sangue.

Mas considera-se que se combinam em diferentes graus nos doentes com DPOC. Nos dois casos há obstrução do fluxo de ar e insuflação pulmonar, com degradação progressiva da função respiratória, embora em fases inciais da doença possa ser parcialmente reversível.

Deve encarar-se como doença prevenível (excepto na deficiência de alfa 1 – antitripsina) e controlável se for implementado tratamento precoce nas suas diferentes vertentes, nomeadamente a cessação tabágica.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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