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O alívio que vem do escuro

9 Abril, 2014 0

É no escuro e no silêncio que os doentes que sofrem de enxaquecas buscam alívio. Trata-se de uma dor de cabeça mas não igual às outras, é mais forte e latejante e afecta sobretudo mulheres e na idade activa: é a influência das hormonas e do stress…

Quando a dor persiste por horas ou mesmo dias, quando se declara apenas num dos lados da cabeça, intensa e latejante, provocando intolerância à luz e ao som e sendo, com frequência, acompanhada de náuseas e vómitos está-se perante uma enxaqueca. É uma dor de cabeça, mas não é uma dor qualquer: é que as crises são recorrentes e crónicas, o que significa que apenas se consegue alívio mas não cura.

Distingue-se ainda das demais dores de cabeça por se agravar com o esforço físico e por interferir com as actividades do quotidiano, ao ponto de ser considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma das vinte doenças mais incapacitantes.

Afinal, uma enxaqueca típica pode prolongar-se por 72 horas ou mais. E pode surgir várias vezes por mês, afectando claramente a capacidade dos doentes para desempenharem as suas tarefas profissionais.

Para algumas pessoas a enxaqueca vai para além dos sintomas comuns: podem sofrer alterações na visão, vendo luzes cintilantes, linhas oscilantes ou manchas, podem sentir formigueiro ou adormecimento de um braço ou perna, e podem até registar alterações na fala. É assim que se manifesta a chamada aura, um conjunto de sinais neurológicos que precede ou acompanha a enxaqueca e que ocorre em apenas cerca de 20 por cento dos doentes.

Com ou sem aura, a enxaqueca pode ser anunciada algumas horas ou até um dia antes de se instalar: há quem sinta uma sensação de intensa energia ou, pelo contrário, de fadiga, um desejo invulgar por determinados alimentos, entre eles doces, sede acrescida, tonturas, irritabilidade, ansiedade ou depressão. É a fase premonitória da enxaqueca.

Não se sabe exactamente o que desencadeia esta dor de cabeça tão específica, mas as explicações apontam para uma combinação da genética e do ambiente. Tudo indica que haja também influência de neurotransmissores (caso da serotonina – um químico existente no sistema nervoso que ajuda a regular a dor e intervém nos processos de bem-estar físico e emocional).

Sabe-se que os níveis de serotonina baixam durante uma crise de enxaqueca, o que pode levar o sistema de gestão da dor a libertar substâncias que, ao atingirem as meninges (as membranas que revestem o cérebro), causam a dor. Também se defende que a influência de péptidos vasoactivos e inflamação de vasos sanguíneos podem estar envolvidos. A toma de pílula contraceptiva nalgumas mulheres agrava, noutras melhora e há as que não sentem qualquer efeito.

Causas à parte, são conhecidos alguns factores de risco para a enxaqueca. O primeiro deles são as hormonas femininas, mais precisamente os estrogénios e as suas flutuações em momentos como a menstruação, a gravidez e a menopausa. Daí que as enxaquecas possam surgir imediatamente antes ou depois do período menstrual ou que sejam mais frequentes nas mulheres que tomam a pílula contraceptiva.

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