O alívio que vem do escuro
[Continua na página seguinte]
Registar a dor
Manter um diário da dor pode ajudar o médico a diagnosticar e tratar melhor a enxaqueca. Assim, é útil anotar os seguintes elementos:
• Quando é que a dor começa;
• Onde se localiza;
• Quanto tempo dura;
• O que parece desencadeá-la;
• O que parece agravá-la;
• O que a alivia;
• Com que frequência surge;
• Quais os sintomas associados;
• Que impacto no quotidiano.
À mercê das hormonas?
Ser mulher é uma desvantagem no que toca às dores de cabeça e, em particular, às enxaquecas.
Tudo devido às hormonas femininas – os estrogénios e a progesterona. Estas hormonas estão envolvidas na regulação do ciclo menstrual e na gravidez e, ao que tudo indica, também interferem com os químicos que, no cérebro, controlam o mecanismo da dor. Assim, níveis hormonais mais baixos parecem acentuar a dor, enquanto níveis mais elevados terão o efeito oposto.
Durante a menstruação, há uma queda acentuada dos níveis de estrogénios, o que torna as mulheres mais sensíveis à dor. Aliás, a dor de cabeça é mesmo um dos sintomas da síndrome pré-menstrual, podendo estender-se a todo o período. É um desconforto que se alivia com recurso a analgésicos ou antiinflamatórios não esteróides. Porém, quando a dor é tão regular como o ciclo pode ser aconselhada medicação preventiva.
Há mulheres que têm dores de cabeça pela primeira vez quando começam a tomar a pílula contraceptiva. Mais uma vez devido aos estrogénios. Quando isso acontece de uma forma repetitiva, é de ponderar a mudança de pílula, por exemplo para uma apenas com progesterona. Mas a decisão deve ser tomada com aconselhamento médico, naturalmente.
Os níveis de estrogénios sobem rapidamente no início da gravidez, mantendo-se elevados durante os nove meses. Em consequência, as dores de cabeça podem atenuar-se ou até desaparecer, só voltando após o parto, dado que há uma queda abrupta na produção hormonal.
Mas, se as dores surgirem durante a gravidez ou a amamentação, há que consultar o médico para obter a forma mais adequada de alívio: é que nem todos os medicamentos podem ser tomados.
Outra altura em que ocorre uma mudança nos padrões hormonais é a menopausa. Há mulheres que apresentam uma clara melhoria das dores de cabeça, outras que sofrem mais, independentemente de estarem a fazer terapia hormonal de substituição.
Cada caso é um caso. Há mulheres mais sensíveis aos efeitos das hormonas do que outras, mas uma coisa é certa: se as dores de cabeça perturbam as actividades habituais há que procurar tratamento.
Quando a dor persiste por horas ou mesmo dias, quando se declara apenas num dos lados da cabeça, intensa e latejante, provocando intolerância à luz e ao som e sendo, com frequência, acompanhada de náuseas e vómitos está-se perante uma enxaqueca. É uma dor de cabeça, mas não é uma dor qualquer: é que as crises são recorrentes e crónicas, o que significa que apenas se consegue alívio mas não cura.

