O alívio que vem do escuro
Qualquer pessoa pode ter enxaquecas, mas a probabilidade aumenta quando se é mulher, quando se sofre alterações hormonais significativas, quando se tem até 40, no máximo 50 anos, e quando se é muito susceptível ao stress.
Sem cura mas tratamento
Certo é que as enxaquecas não têm cura. Têm, no entanto, tratamento, ainda que a grande maioria dos doentes não o procure. E o tratamento pode envolver duas vertentes: o alívio dos sintomas ou a prevenção.
No primeiro caso pode envolver medicamentos como os analgésicos ou anti-inflamatórios não esteróides, mais adequados nas crises ligeiras, ou fármacos específicos anti-enxaqueca quando a dor é moderada a severa. Em complemento, podem ser recomendados medicamentos anti-náusea.
O importante é que sejam tomados mal os sintomas despontam, de modo a obter uma maior eficácia. Deve permanecer-se em repouso, podendo ser útil o recolhimento num espaço escuro e tranquilo. Afinal, as enxaquecas agravam-se com o esforço e com luzes e sons intensos – trata-se, assim, de contrariar estes factores.
Outra alternativa terapêutica envolve uma abordagem profiláctica, passando pela toma de medicamentos que ajudam a prevenir as crises. É particularmente útil quando as enxaquecas são muito frequentes e suficientemente severas para interferirem com a actividade normal dos doentes.
Estes fármacos contribuem para reduzir a frequência, duração e intensidade das dores, potenciando ainda a acção dos medicamentos para alívio dos sintomas. Entre eles, encontram-se os beta-bloqueadores, vocacionados para as doenças cardiovasculares, os antidepressivos e os anti-epilépticos.
Nas mãos dos doentes está ainda evitar, sempre que possível, os factores desencadeantes das enxaquecas, nomeadamente os alimentos de risco e a exposição a luzes e sons demasiado intensos. Manter hábitos de sono regulares, fazer exercício físico moderado, repousar e relaxar, evitando os momentos de stress, são também boas ajudas.
Há outros factores mais difíceis de contornar como as alterações hormonais nas mulheres, mas são situações em que pode ser aconselhada a terapêutica preventiva.
Calcula-se que as enxaquecas afectem 10 a 15 por cento da população adulta. Porém, muito poucos são os que fazem tratamento adequado, talvez por não conhecerem a verdadeira dimensão e o impacto real deste tipo de dor de cabeça.
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Registar a dor
Manter um diário da dor pode ajudar o médico a diagnosticar e tratar melhor a enxaqueca. Assim, é útil anotar os seguintes elementos:
• Quando é que a dor começa;
• Onde se localiza;
• Quanto tempo dura;
• O que parece desencadeá-la;
• O que parece agravá-la;
• O que a alivia;
• Com que frequência surge;
• Quais os sintomas associados;
• Que impacto no quotidiano.
À mercê das hormonas?
Ser mulher é uma desvantagem no que toca às dores de cabeça e, em particular, às enxaquecas.
Tudo devido às hormonas femininas – os estrogénios e a progesterona. Estas hormonas estão envolvidas na regulação do ciclo menstrual e na gravidez e, ao que tudo indica, também interferem com os químicos que, no cérebro, controlam o mecanismo da dor. Assim, níveis hormonais mais baixos parecem acentuar a dor, enquanto níveis mais elevados terão o efeito oposto.

