Insónia
Adormecer é uma tarefa esgotante para quem sofre de insónia, uma perturbação do sono muito comum e mais comum entre as mulheres e à medida que se entra nos anos. Mas uma boa higiene do sono é meio caminho andado para noites mais tranquilas.
Uma noite mal dormida acontece a todos uma vez por outra. Ou porque nos deitámos tarde ou porque tivemos de acordar mais cedo do que o costume ou ainda porque levámos para a cama os problemas do dia. E de manhã, além das olheiras, exibimos um ar de poucos amigos, desejando que ninguém nos dirija a palavra para não corrermos o risco de responder mal-humorados. Trabalhar também é mais difícil do que nos outros dias, porque não demos ao corpo (e à mente) o repouso merecido. Mas é ocasional e, portanto, não tem significado.
Há pessoas, porém, para quem as noites mal dormidas são a regra, não a excepção. É o que acontece quando se sofre de insónias.
A insónia pode ser de curta duração (de uma a quatro semanas) ou persistente/longa duração (mais de quatro semanas). Pode também chamar-se de transitória se dura menos que uma semana. Na maior parte dos casos, a insónia é consequência de diversas situações – a chamada insónia secundária -, mas noutros casos não se relaciona com qualquer problema de saúde: é a insónia primária.
Conciliar o sono é uma tarefa esgotante: ou não se consegue adormecer ou, quando finalmente se adormece, acorda-se ao fim de pouco tempo, o que inviabiliza as horas de sono necessárias para o bem-estar. A insónia pode ainda fazer despertar demasiado cedo, a horas de distância do momento de levantar.
Seja qual for a face que a insónia assuma, o resultado é o mesmo: uma sensação de cansaço e de falta de energia logo pela manhã, sonolência, irritabilidade, dificuldade de concentração. As dores de cabeça são comuns e o desconforto abdominal também. A probabilidade de um erro ou acidente aumenta. E as preocupações com o sono sucedem-se, gerando ansiedade na noite seguinte – e, quanto maior a ansiedade, maior a dificuldade em adormecer…
São muitas as causas deste distúrbio do sono muito perturbador da qualidade de vida. O stress está entre as mais frequentes, na medida em que preocupações com a vida profissional ou académica ou acontecimentos como a doença ou morte de alguém próximo, o divórcio ou o desemprego podem impedir que se concilie o sono. A ansiedade e a depressão podem ter o mesmo efeito, embora também possam causar sonolência excessiva.
Os medicamentos podem igualmente interferir com o sono: é o caso de alguns antidepressivos, estimulantes e corticoesteróides, bem como de fármacos utilizados no tratamento de problemas cardíacos e da hipertensão. A mesma influência têm determinados problemas de saúde, a começar pela dor.
Também o consumo de bebidas alcoólicas, de cafeína e de nicotina se reflecte negativamente na qualidade do sono: o café e o tabaco possuem substâncias estimulantes que mantêm a pessoa alerta, enquanto o álcool funciona como um sedativo, podendo ajudar a adormecer mas impedindo um sono profundo e sendo causa frequente do acordar a meio da noite.

