Em nome do coração
E ao exercício devem juntar-se outros comportamentos activos, como trocar o elevador pelas escadas sempre que possível, deixar o carro um pouco mais longe de casa ou do emprego, sair do autocarro uma paragem antes e fazer o resto do caminho a pé. Sabendo que, num corpo em forma, o coração pulsa menos vezes por dia, o que significa que corre menos riscos.
Num corpo em que as calorias não são transformadas em energia, acumulando-se, o coração é obrigado a um esforço mais intenso, ficando mais vulnerável. Por isso, mexa-se, pela sua saúde!
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O coração fuma?
Não fuma, mas sofre os efeitos do tabagismo, que é considerado um dos factores de risco mais importantes das doenças cardiovasculares. Sabe-se que os fumadores de mais de um maço de cigarros por dia sofrem quatro vezes mais enfartes de miocárdio do que os não fumadores. E mesmo um a cinco cigarros diários contribuem para esse risco. Sabe-se também que nos não fumadores os enfartes surgem uns dez anos mais tarde.
Além do enfarte, há outras doenças do foro cardio-vascular associadas ao tabagismo – é o caso da angina de peito e da doença arterial periférica. Ou do acidente vascular cerebral, cujo risco nos fumadores aumenta proporcionalmente ao número de cigarros diários.
Os cigarros não são os únicos maus da fita – os charutos e o tabaco de cachimbo também têm responsabilidades, o mesmo sendo válido para os chamados cigarros “light”. E mesmo quem não fuma mas está exposto ao fumo alheio pode vir a sofrer com os malefícios do tabaco.
Sob as mulheres pende uma ameaça específica – a associação entre o tabaco e a pílula contraceptiva. O risco de enfarte do miocárdio, por exemplo, aumenta seis a oito vezes por comparação com as mulheres que não fumam. É mais uma boa razão para deixar de fumar. Aliás, a cessação tabágica é a medida preventiva mais importante para as doenças cardiovasculares.
Tensão sem atenção?
A hipertensão arterial é outra das grandes ameaças à saúde do coração. Evolui silenciosamente e acaba por causar danos no sistema cardiovascular e noutros órgãos para além do coração, como o cérebro e os rins.
Deve-se, muitas vezes, a um estilo de vida em que pontuam os excessos alimentares, sendo o sal o principal inimigo de uma pressão arterial saudável. Mas as gorduras, o álcool, o tabaco e a ausência de exercício físico também têm culpas. No entanto, há factores de risco não controláveis como a história familiar, a idade e a raça.
Para prevenir o risco é fundamental conhecer os valores normais para cada pessoa e medi-los com regularidade: só assim é possível intervir perante valores mais elevados que podem ser sinal de doença.
Todos temos colesterol?
É um facto que todos temos colesterol, um tipo de gordura indispensável à regeneração das células, entre outras. Só que há colesterol “bom” e “mau”. O “bom” (conhecido pela sigla HDL proteína transportadora de colesterol) retira colesterol da parede dos vasos sanguíneos e transporta-o até ao fígado para ser eliminado, enquanto o “mau” (LDL) se pode tornar nocivo, acumulando-se perigosamente nas artérias.

