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Em nome das fibras

4 Outubro, 2012 0

Existe uma relação muito íntima entre a obstipação e o consumo de fibras na alimentação. De facto, sabe-se que uma alimentação pobre em fibras e rica em gordura é uma das causas mais frequentes, se não mesmo a principal, da prisão de ventre.

A obstipação é considerada uma doença que deriva de hábitos de um quotidiano agitado que retira tempo a tudo, adiando ao máximo até o momento de evacuar as fezes. E devido a uma dieta alimentar em que as fibras foram relegadas para segundo plano.

É mais frequente no mundo ocidental, que em regiões menos desenvolvidas, e atinge duas vezes mais as mulheres do que os homens, até porque a obstipação é frequente durante a gravidez. Além disso, incide sobretudo nas faixas etárias mais avançadas, o que a torna um problema muito comum aos idosos.

Falamos em obstipação, de uma forma geral, quando a dificuldade em evacuar se prolonga por vários dias, quando as fezes são duras e secas, exigindo um grande esforço para a sua expulsão. Não é, contudo, possível estabelecer um padrão, pois tanto a frequência das evacuações como a consistência das fezes variam de indivíduo para indivíduo.

Deste modo, a obstipação assume, por assim dizer, um carácter subjectivo, de acordo com os hábitos intestinais de cada indivíduo. O doente queixa-se quando tem a percepção de que esses hábitos se alteraram, quer quanto ao número de vezes em que evacua, quer quanto à dureza das fezes. Pode ainda queixar-se de inflamação na zona do ânus, hemorróidas e fissuras. Qualquer uma destas situações pode ser simultaneamente consequência e causa da prisão de ventre, já que, ao provocarem dor, podem levar o indivíduo a adiar o momento de satisfazer aquela que, afinal, é uma necessidade fisiológica natural. É uma espécie de ciclo vicioso, porque as fezes acabam por permanecer ainda mais tempo no intestino, perdem água e tornam-se ainda mais duras.

Na maioria das vezes, a obstipação é uma disfunção intestinal benigna, ou seja, não corresponde a qualquer lesão no intestino. Trata-se, sim, de um problema funcional, na medida em que o processo de defecação não funciona normalmente. Em parte, isso deve-se à própria posição erecta do homem, que dificulta a progressão do conteúdo do cólon. Uma dificuldade que se justifica pelo facto de este órgão do aparelho digestivo apresentar a forma de um “U” invertido.

 

Não é grave mas é frequente

Raramente a obstipação é um problema de saúde grave, apesar de muito frequente. E na verdade é cada vez mais comum, sobretudo nas sociedades modernas em que a falta de tempo é crónica. É que a maioria dos casos de prisão de ventre é originada pelo hábito de não obedecer à vontade de defecar. E porquê? Porque, devido à intensidade das rotinas diárias, muitas vezes pura e simplesmente não há tempo. Há sempre tarefas a desempenhar, que adiam o mais possível o momento de ir à casa de banho.

A correria começa logo cedo, em casa. Toma-se o pequeno-almoço a correr e ignora-se uma regra essencial para um funcionamento saudável dos intestinos: libertar as fezes, obedecendo a um movimento natural do organismo, o chamado reflexo gastrocólico.

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