Em nome das fibras
Ao longo do dia, a situação repete-se, e tantas vezes é só à noite, já em casa, que se satisfaz a necessidade orgânica de defecar. Há outra razão que contribui para este adiamento: as deficientes condições higiénicas de muitos sanitários públicos, nas escolas e nos locais de trabalho.
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Frequentados por muitas pessoas, limpos menos vezes do que seria desejável, são pouco convidativos. Com o tempo, esta supressão da vontade de defecar acaba por se tornar crónica. O organismo habitua-se e elimina o reflexo natural de libertar as fezes. Uma vez ou outra adia-se o momento, sem que isso prejudique a evacuação. Mas quando o adiamento se torna uma rotina, dá lugar à prisão de ventre.
Outro factor responsável pela obstipação é a dieta das sociedades ocidentais, altamente nutritivas mas pobres em fibras, com uma percentagem insuficiente de resíduos. Isto significa que os alimentos acabam por ser digeridos e absorvidos na quase totalidade, pouco sobrando para desencadear os mecanismos reflexos necessários à propulsão do conteúdo intestinal.
São as fibras, contidas nos legumes e outros vegetais (que devem ser consumidos de preferência crus) e nos cereais integrais, que favorecem esses reflexos, proporcionando um bom funcionamento dos intestinos.
A idade conta
A obstipação prevalece nas faixas etárias mais avançadas. Nelas existe uma diminuição natural do poder de expulsão das fezes, pelo facto de os músculos envolvidos estarem debilitados. Além disso, é frequente que os idosos mantenham hábitos alimentares deficientes, quer porque a falta de dentes já não lhes permite mastigar determinados alimentos, quer por falta de interesse na própria comida. Do mesmo modo, ingerem poucos líquidos e, muito provavelmente porque vivem sós, acabam por fazer refeições irregulares.
O elevado consumo de medicamentos, característico nestas idades, pode contribuir também para a prisão de ventre, o que é agravado pelo facto de muitas vezes os idosos estarem acamados durante períodos longos.
É verdade que, por vezes, as queixas de prisão de ventre feitas pelos idosos são fictícias. Este é um problema que os preocupa e que, mesmo que não seja real, os leva a recorrer demasiado a laxantes. Com isso, o intestino acaba por ser tornar preguiçoso e só funciona com “ajuda”.
Também as grávidas são “vítimas” comuns da prisão de ventre, em parte pela acção das hormonas sobre os músculos. Durante a gestação, poderão surgir alterações nos hábitos gastro-intestinais, devido a uma adaptação do organismo à nova condição da mulher. Os vómitos e enjoos matinais são a face mais visível dessas alterações, mas pode igualmente ocorrer diarreia ou obstipação.
A “culpa” é das hormonas, neste caso da progesterona, que actua sobre os chamados músculos lisos, relaxando-os. Nos intestinos, a consequência é uma diminuição dos movimentos peristálticos, os que agem sobre os resíduos alimentares que vão ser expulsos na forma de fezes.
O aumento do volume uterino e a pressão que exerce sobre a parte inferior do abdómen podem contribuir igualmente para este problema, sendo certo que as mulheres que antes de engravidar já eram propensas têm mais probabilidade de agora se queixarem de prisão de ventre.

