Em nome das fibras
Fibras e água
O objectivo do tratamento é restabelecer o normal funcionamento do intestino, o que pode ser atingido através de medidas dietéticas e da utilização de medicamentos laxantes.
A maioria dos doentes, aliás, responde bem à simples alteração dos hábitos alimentares, raramente se tornando necessário recorrer aos laxantes. A excepção a esta regra são as pessoas idosas, pois o ritmo intestinal de muitas delas já está dependente de laxantes.
No campo da dieta alimentar, há que aumentar o consumo de substâncias não digeríveis – pão integral, frutas e legumes crus, por exemplo, além da ingestão diárias de muitos líquidos, com um copo suplementar de água de manhã e à noite.
No sentido de regularizar o ritmo intestinal, deve-se reservar cerca de dez minutos por dia para treinar os músculos que entram no processo de expulsão das fezes. Deve sentar-se na sanita, de joelhos erguidos, e tentar provocar a evacuação. Um gesto a repetir vários dias seguidos até que o intestino retome a normalidade.
Porém, pode ser necessário recorrer a laxantes, mas sempre em doses reduzidas, apenas as indispensáveis para produzir uma evacuação normal. É importante evitar a dependência, pelo que, assim que o intestino recuperar o seu ritmo, deve ser suspenso o uso dos laxantes.
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São três os tipos principais de laxantes: por aumento do volume fecal (expansores de volume), estimulantes ou irritantes do intestino (de contacto) e amolecedores das fezes e agentes de secreção (osmóticos).
Existe um outro grupo, os emolientes, que tem mecanismo de acção sobreponível aos de contacto. Vejamos como funciona cada um. Os laxantes por aumento do volume fecal são constituídos por fibras capazes de absorver água e aumentar o conteúdo intestinal. E embora sejam apelidados de laxantes, na verdade o que são é fibras não digeríveis que provocam a evacuação de fezes moles e sólidas. Como efeito secundário, pode ocorrer uma sensação de distensão abdominal ou a formação de gases, mas tendem a dissipar-se ao longo do tratamento.
Já os estimulantes ou irritantes do intestino são laxantes que actuam sobre os movimentos do intestino, facilitando a passagem da massa fecal.
Devido à sua acção rápida, são usados habitualmente em situações em que a obstipação decorre de stress ou de alterações à rotina, como uma viagem, ou em situações em que a pessoa não pode fazer força para evacuar, como no caso das grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz.
Finalmente, os amolecedores de fezes são os mais adequados para pessoas idosas ou acamadas. Em cerca de dois dias, estes laxantes aumentam o peso, volume e teor da água nas fezes, de que resultam fezes mais moles e, portanto, mais fáceis de evacuar para as pessoas naquelas circunstâncias.
Independentemente do tipo, os laxantes devem ser usados por curtos períodos de tempo, pelo que se o problema persistir deve ser consultado um médico. Devem ser o último e não o primeiro recurso perante um episódio de prisão de ventre.

