Dossier: Epilepsia
As crises parciais podem ou não ser seguidas de convulsão tónico-clónica (neste caso diz-se que são secundariamente generalizadas). A sua classificação habitual é feita consoante o local de origem da actividade epiléptica, distinguindo-se habitualmente as crises dos lobos temporal, frontal, parietal e occipital. As crises do lobo temporal são as mais frequentes, constituindo aliás o síndroma epiléptico mais comum, e a sua expressão clínica pode por vezes ser confundida com uma ausência.
No que diz respeito aos grupos etários de idade escolar, existem situações específicas que se encontram com alguma frequência, apresentando uma relação importante com a idade de apresentação (epilepsias da infância, da adolescência), existindo em algumas delas uma base genética conhecida, enquanto que em outras essa identificação não foi ainda efectuada.
Regra geral, numa hipótese diagnóstica de epilepsia, é importante não só a diferenciação entre os diversos tipos de crises epilépticas, como também o diagnóstico diferencial entre estes quadros e crises não epilépticas. Estas situações são diversas, incluindo os problemas cardíacos e circulatórios, as doenças metabólicas, a enxaqueca, os distúrbios do sono e as pseudoconvulsões, encontrando-se frequentemente na clínica e colocando por vezes problemas diagnósticos de difícil resolução.
Como já referido, os exames mais frequentemente efectuados são o electroencefalograma e os estudos de imagem (TC CE e RMN CE), podendo ser realizados estudos mais aprofundados em ambas as áreas.
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Tratamento da Epilepsia
O tratamento da epilepsia passa inicialmente pela utilização de fármacos, hoje em dia mais eficazes e mais seguros do que o que eram há vários anos atrás. Calcula-se que cerca de 70 a 80% dos novos doentes fiquem controlados com qualquer um dos fármacos anti-epilépticos de 1ª linha em monoterapia.
Os restantes doentes são geralmente tratados em regime de politerapia, com dois ou mais fármacos, existindo no entanto um grupo importante de doentes que, quer devido às características da sua epilepsia quer devido a problemas farmacodinâmicos ou farmacocinéticos das associações com que são tratados, apresentam situações de epilepsia refractária.
Para alguns destes doentes refractários existe uma hipótese cirúrgica, cuja investigação é habitualmente efectuada em centros de referência (existem vários em Portugal).
A repercussão desta doença sobre a criança ou o adolescente em desenvolvimento e em idade escolar depende de diversos factores, nomeadamente do tipo de epilepsia/crises, das suas características e frequência, da existência ou não de outras lesões subjacentes, da resposta à terapêutica e ainda do tipo de fármaco utilizado. Os medicamentos utilizados apresentam por vezes alguma repercussão sobre determinadas actividades cognitivas, muito embora em relação aos mais recentes (e também os mais utilizados na criança e no adolescente) essa repercussão seja muito menor.
Nota Final
Como comentário final parece-me essencial recordar que todo este avanço, por um lado na compreensão dos mecanismos básicos e na capacidade de investigação clínica, e por outro no melhor controlo do doente com epilepsia, com diminuição franca dos efeitos secundários classicamente associados, vem trazer a este grupo de doentes uma melhoria considerável da sua qualidade de vida, da sua prestação pessoal, familiar, social e profissional, o que se traduz obviamente por uma economia de outros recursos e por um aumento da sua produtividade enquanto elementos activos de um tecido social.

