A depressão resistente ao tratamento parece estar a aumentar - Médicos de Portugal

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A depressão resistente ao tratamento parece estar a aumentar

28 Novembro, 2011 0

No último dia do VII Congresso Nacional de Psiquiatria e Saúde Mental, o Dr. Zihad Nahas, da American University of Beirut, mostrou no simpósio “Neuroestimulação em Psiquiatria. Técnicas antigas? Novos dados!” que a depressão, enquanto uma experiência subjectiva, continua a ser um problema real. Este revelou ainda que a depressão resistente ao tratamento está a aumentar. “Quanto mais baixa a resposta, mais alta a recaída. Quanto mais alta a resposta, mais baixa a recaída. Quanto mais alta a recaída e mais baixa a resposta, mais longos são os episódios”, exemplificou.

No simpósio sobre “Disfunção Eréctil: algumas intervenções terapêuticas de análise” Ana Carvalheira, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, apresentou um estudo onde surgiram algumas conclusões importantes para a análise da evolução da disfunção eréctil, um problema muitas vezes silenciado pelo doente e familiares e para o qual os avanços terapêuticos são escassos.

Aqui discutiram-se as razões pelas quais os homens abandonam a terapia cognitiva-comportamental, verificando-se que 48,9% dos homens fazem-no devido à não eficácia dos medicamentos (40%). Num questionário anónimo a 327 participantes, 87% com relações de compromisso e 42% com estudos superiores, verificou-se que o abandono prende-se igualmente com factores relacionais e psicológicos.

Na mesma sessão, debateu-se o conceito de “mindfulness” pela sexóloga da universidade de Coimbra, Sandra Vilarinho, no âmbito da disfunção eréctil. Esta prática meditativa, que leva a pessoa a ver o pensamento enquanto um acontecimento mental isolado, sem julgamento, poderá levar a um aumento da auto-consciência e funcionamento sexual e, por conseguinte, a uma sexualidade mais satisfatória

Na sessão dedicada ao tema da “Eutanásia – suicídio assistido: sim ou não?”, a Prof. Dra. Laura Santos, da Universidade do Minho, defendeu que as decisões dos doentes terminais são importantes e devem ser consideradas importantes. “Não há lugar para a imposição pela força de uma qualquer moral”, ressalvou, salientando que estar vivo é muito diferente de ter uma vida.

Por seu turno, o Prof. Manuel Curado, docente da Universidade do Minho, defende que não existe lugar para qualquer forma de eutanásia ou suicídio assistido, referindo que “a dor não mata, as ideias e os valores sim”.

A encerrar a manhã de hoje, a sessão “Psiquiatria Ciência vs Psiquiatria Arte”, onde se chegou à conclusão de que não há um antagonismo entre os dois conceitos, mas uma complementaridade. A eficácia do tratamento psiquiátrico prende-se essencialmente com a evolução dos psicofármacos e das psicoterapias e com a existência de uma medicina aprendida “ombro a ombro”, na relação interpessoal com o doente, defendeu o Dr. Pio Abreu, psiquiatra do Hospital de Coimbra.

Cerca de 900 pessoas passaram pelo VII Congresso Nacional de Psiquiatria e Saúde Mental, que reuniu, em Coimbra, vários especialistas da área das neurociências que durante três dias debateram temas como: a qualidade e inovação no sistema de saúde e nas terapêuticas, novas formas de intervenção na psiquiatria e promoção da saúde mental, foram os temas transversais a este congresso que pretendeu dar uma visão alargada do trabalho que tem vindo a ser feito no campo das ciências cognitivas.

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