Dossier: Doença de Huntington
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Em cada par de cromossomas homólogos, os genes que determinam a mesma característica genética (por exemplo, a cor dos olhos) podem conter informações diferentes. Neste caso, o indivíduo é heterozigótico. A maioria das pessoas afectadas pela DH são heterozigóticas. Elas portam uma cópia normal do gene (herdada do/a pai/mãe não afectado/a) e uma cópia defeituosa do gene (herdada do/a pai/mãe afectado/a). Para que a doença de Huntington se manifeste basta que um dos cromossomas homólogos contenha o gene defeituoso. Por isso, a doença é dominante.
A doença de Huntington transmite-se através de gerações com um risco de 50 por cento. Qualquer pessoa afectada pela DH pode transmitir a cópia defeituosa do gene à sua descendência (seja ela masculina ou feminina) com uma probabilidade de 50 por cento. Se uma pessoa não é portadora do gene defeituoso, ela não poderá transmiti-lo para os seus filhos. A DH não salta uma geração.
Quais são as causas da doença?
Como já foi dito, a DH é uma doença degenerativa cujos sintomas são causados pela perda marcante de células nervosas, sobretudo numa parte do cérebro denominada de corpo estriado. O corpo estriado (composto de três regiões, denominadas núcleo caudado, putámen e núcleo accumbens) é basicamente responsável pelo planeamento e controlo dos movimentos, mas também participa em outros processos cognitivos. À medida que a doença progride, ocorre uma destruição do córtex cerebral (massa cinzenta correspondente à camada mais externa do cérebro) que contribui para a deterioração da capacidade cognitiva. De um modo geral, a DH causa atrofia do cérebro inteiro.
O gene que causa a DH foi identificado em 1993. Localizado no cromossoma 4, ele codifica uma proteína chamada huntingtina (Htt). Na primeira parte do gene da DH, existe uma sequência de três nucleotídeos, citosina-adenina-guanina (CAG), que se encontra repetida várias vezes (ou seja, …CAG-CAG-CAG-CAG…). De acordo com o código genético, o trinucleotídeo CAG codifica o aminoácido glutamina.
No gene de um indivíduo saudável, esta sequência tem, geralmente, por volta de 20 repetições. Em contrapartida, no gene da DH esta sequência tem mais de 35 repetições. Portanto, a DH é causada por uma extensão trinucleotídica e é uma entre várias doenças poliglutamínicas.
Diagnóstico
Só pode chegar-se a um diagnóstico clínico da DH através de um exame completo, que geralmente vincula um exame neurológico e psicológico e uma história familiar detalhada. A RM (ressonância magnética) ou TAC (tomografia computadorizada) podem ser incluídas, mas os resultados destes exames não são suficientes para redigir um diagnóstico, e sim para excluir outros problemas que causam sintomas semelhantes.
Da mesma forma, o teste genético, que se encontra disponível desde 1993, pode ser usado para auxiliar a confirmar ou excluir o diagnóstico de DH. Este teste de DNA determina o tamanho da repetição CAG do gene da DH e, portanto, detecta a mutação. O teste pode revelar se uma pessoa é portadora do gene da DH, mas não pode dizer quando a doença irá manifestar-se. Portanto, um resultado positivo do teste genético não é suficiente apenas por si próprio (sem um exame neurológico) para confirmar o diagnóstico clínico da DH manifesta.

