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Distúrbios Alimentares

20 Junho, 2013 0

O que são? Trata-se de um conjunto de doenças com origens psicológicas, emocionais e sociofamiliares. Têm vindo a crescer nas últimas décadas, e hoje o leque de patologias abrangido por esta denominação é bastante amplo. Manifestam-se por alterações significativas nos hábitos alimentares e na imagem corporal percepcionada pelo doente. Por exemplo, as pessoas consideram-se muito gordas, independentemente do peso que apresentam. Os jovens de ambos os sexos são os mais afectados (não se trata de uma patologia exclusiva do sexo feminino, estima-se que 20% dos doentes sejam do sexo masculino).

A que se devem estas patologias e como se manifestam?

A causa exacta não é conhecida. Tal como acontece com outras doenças do foro psicológico, há uma gama de factores inter-relacionados, a saber:

• Biológicos: admite-se que haja genes que tornam certas pessoas mais vulneráveis ao desenvolvimento de distúrbios alimentares;

• Psicológicos e emocionais: comprovadamente todos os indivíduos com distúrbios alimentares revelam manifestações de baixa autoestima, comportamento impulsivo, relacionamento conturbado, quadros depressivos;

• Socio-ambientais: na medida em que o sistema cultural da sociedade de consumo incita ao corpo estilizado, promove o “body-building”, qualquer excesso de peso é apresentado quase como uma obscenidade ou uma razão profunda para a discriminação,…

Devido ao conhecimento actual sobre tais patologias, sabe-se que cada distúrbio alimentar tem os seus sintomas e sinais de alerta característicos. Mas na generalidade, os doentes manifestam-se por sinais de isolamento, baixa autoconfiança e elevados níveis de ansiedade ou stresse.

Apesar de serem problemas graves, todos estes distúrbios podem ter cura, desde que a pessoa ganhe consciência de que está doente, provocando sofrimento a si próprio e, por vezes, à família e tenha força de vontade para pedir ajudar e mudar comportamentos e atitudes.

 

Quais os principais distúrbios alimentares?

À luz dos conhecimentos actuais, podemos falar em sete patologias, a saber: anorexia (restrição alimentar), bulimia (comer compulsivamente e, em seguida, vomitar), distúrbio alimentar não específico (apresenta-se como uma pré-anorexia e/ou bulimia), overeating (comer compulsivamente, sem tréguas), permarexia (o doente vive obcecadamente a pensar em dietas), ortorexia (o doente pensa constantemente em comida saudável, travando uma batalha fundamentalista com tudo o que come) e vigorexia (o doente recorre ao exercício compulsivo para atingir o peso que considera ideal, pois aquele que tem é sempre percepcionado como insatisfatório).

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Vejamos os seus sinais e consequências. A anorexia, sem margem para dúvidas, é um distúrbio alimentar muito grave, que pode até colocar em risco a própria vida.

O doente submete-se voluntariamente a um “jejum prolongado” de modo a perder peso, que na sua opinião é sempre excessivo.

O doente anorético cria uma imagem completamente distorcida de si próprio, acha que é avaliado socialmente pela sua imagem física, vive uma relação conturbada com o seu corpo, peso e forma, e nega “a pés juntos” que está quase “pele e osso”, mesmo perante os médicos.

Os sinais de alerta da anorexia estão hoje devidamente repertoriados: a perda dramática de peso é um plano inclinado que pode levar à morte; o doente fala constantemente no peso, em comida, em calorias, recorrendo a manhas e habilidades para simular à mesa que comeu uma refeição adequada quando na realidade não o fez. Nas suas conversas é permanente a ansiedade com hipotéticos ganhos de peso, existindo sempre um sobressalto quando se vê ao espelho; em círculo social, o doente nega ter fome, tendo sempre desculpas para evitar as horas de refeição; sempre que possível, pratica exercício em excesso, quase até cair de fadiga, como se fosse um ritual obrigatório para “queimar” calorias. Outro sinal de alerta preocupante é quando o doente começa a evitar os amigos habituais e as actividades em conjunto.

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