Depressão: A doença de que os homens não falam - Médicos de Portugal

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Depressão: A doença de que os homens não falam

3 Julho, 2009 0

A depressão também afecta os homens, só que eles queixam-se menos: têm relutância em expor as suas emoções e fragilidades e, por isso, não procuram ajuda. Sofrem como as mulheres, mas escondem-se atrás de comportamentos de risco.

São ainda muitos os mitos e preconceitos que gravitam em torno da masculinidade, a condicionar atitudes e comportamentos. É verdade que as mentalidades evoluíram e que o que se espera de homens (e mulheres) é hoje muito diferente de há duas ou três gerações.

Mas a evolução ainda não quebrou todas as barreiras. E há assuntos que permanecem tabu. O mundo das emoções, por exemplo, está longe de ser vivido da mesma forma por mulheres e homens. E o que elas falam, eles calam. Assim se passa com a depressão. Há estudos que indicam que esta doença é mais predominante entre o sexo feminino, mas há outros que justificam as diferenças com o facto de a depressão estar sub-diagnosticada entre os homens.

O que significaria que eles sofrem tanto como as mulheres, apenas não procuram tratamento na mesma proporção.

E assim será porque receiam colocar-se numa posição de fragilidade, passível de constituir uma ameaça à sua masculinidade e a todos os papéis que, tradicionalmente, são atribuídos ao homem. Daí a relutância em partilhar o que os perturba com familiares, amigos ou profissionais de saúde.

Tudo indica que os sintomas da depressão masculina são idênticos aos da feminina, embora prossigam estudos no sentido de identificar eventuais diferenças e, assim, definir tratamentos mais adequados. O que se sabe é que, independentemente do sexo, a depressão desencadeia uma vaga de sintomas físicos e psicológicos.

A pessoa sente-se infeliz e miserável, sentimentos que permanecem ao longo do dia. Não consegue apreciar actividades que outrora lhe davam prazer, não se consegue concentrar. Sente-se culpada de tudo e de nada, pessimista e sem esperança, ao ponto de, no extremo, desenvolver pensamentos suicidas. Além disso, tem dificuldade em dormir, perde o apetite e peso e também o interesse no sexo. Pode descurar a aparência e as suas tarefas profissionais e manifestar maior irritabilidade nos contactos sociais.

Esta irritabilidade tem, aliás, sido identificada mais nos homens do que nas mulheres, a par de episódios de ira súbita, de perda de controlo, agressividade e comportamentos de risco.

 

O risco dos riscos

E é, precisamente, aqui que reside a maior particularidade da depressão masculina: em vez de falarem sobre o que sentem, refugiam-se no álcool e/ou nas drogas. O que acaba por abrir a porta a comportamentos irresponsáveis como a condução imprudente. E que os prejudica no trabalho e nas relações familiares. Além disso, envolvem-se com mais facilidade em conflitos, mesmo físicos, em consequência da maior agressividade e da perda de controlo. A promiscuidade sexual é também comum.

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Numa fase inicial, há homens que reagem à depressão mergulhando no trabalho, trabalhando horas a fio, sem espaço para outras actividades e outras pessoas. Se são casados, as relações com o cônjuge acabam por se ressentir, dado o pouco tempo que passam em casa e o mutismo em que muitas vezes se isolam.

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