Da normalidade à doença bipolar: porque oscilam as pessoas de humor ao longo do dia?
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Como ajudar?
O tipo de ajuda deve ser ponderado caso a caso, muito embora, Seabra Diniz sugira o seguimento de uma terapia psicanalítica que constitui uma ferramenta de diálogo com o especialista e compreensão das dificuldades e emoções da pessoa, para mudar a sua forma de sentir. Mas o processo não é simples e linear.
“A pessoa pode entender cognitivamente, o que não significa dizer que consiga mudar celeremente a sua forma de sentir. Para ser bem sucedida, deve seguir uma terapia longa e cuidadosa”, justifica.
Qual a justificação para estas dificuldades?
De acordo com Seabra Diniz, estas limitações estão relacionadas com o desajustamento entre os raciocínios e os sentimentos, pois “os primeiros não controlam os segundos”. Daí que a alteração da forma de sentir constitua o principal desafio que pode, no entanto, ser bem sucedido e ter várias vantagens.
Pois “há determinantes inconscientes do nosso estado de humor que a pessoa desconhece, mas que poderá vir a conhecer através da psicanálise”, remata.
Como resolver a inibição e insegurança dos jovens derivada, por exemplo, da interacção desigual entre si e os seus pais? Seabra Diniz sugere aos pais que, “em vez de perguntarem coisas aos filhos, os oiçam”, sugere. Acrescenta que quando houver este espaço de diálogo saudável, os filhos sentirão à vontade para conversarem com os pais acerca dos mais diversos temas. “O desejo de ouvir é o que proporciona o desejo de contar.
A rotina semanal e as oscilações de humor
Segundo José Manuel Jara, a dicotomia número de dias de trabalho vs fim-de-semana interfere com as reacções emocionais. “O início da semana é sempre mais aborrecido do que o fim. A maioria das pessoas está mais bem-disposta na sexta do que na segunda”, explica o especialista.
Se o trabalhador tem excesso de trabalho apresenta uma maior predisposição para a irritação, estado emocional que poderá ser acentuado ou minimizado pela qualidade das relações humanas e profissionais, incluindo o tipo de chefia. Para funcionar bem o sistema de organização do trabalho deve regular-se por emoções positivas e as pessoas devem sentir-se alegres no desempenho das suas tarefas. De acordo com José Manuel Jara, “os indivíduos que trabalham por turnos poderão ficar mais vulneráveis, devido a um descanso insuficiente : devendo descansar para compensar estes horários”.
Geralmente, as pessoas têm um melhor humor de manhã, mas se tiverem tendência depressiva ou um temperamento um pouco ciclotímico poderão apresentar um humor matinal mais negativo, refere.
“Indivíduos com predisposição depressiva, acordam, por vezes, mais lentos e menos entusiastas, mesmo sem razões aparentes para tal e melhoram ao fim do dia, contrastando com a lógica da relação entre o repouso e o humor”. O temperamento influencia igualmente a energia e disposição das pessoas ao longo do dia, pois umas estão mais ágeis de manhã e outras à noite.
Gestão das emoções na empresa
O líder pode apresentar oscilações de humor e é livre de “descarregar” as emoções negativas nos seus subordinados, liberdade que estes não têm, o que pode originar uma cadeia de transmissão de mau-humor e tensão no seio familiar, explica José Manuel Jara. “Ninguém punirá o chefe caso ele seja agressivo para os seus empregados. Estes têm que conter as suas emoções. Hipoteticamente, um indivíduo pode ser mal tratado pela chefia, descarrega na pessoa que está subalterna a si próprio, essa pessoa subalterna vai descarregar na mulher ou no filho”, acrescenta.

