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Comedore(a)s compulsivo(a)s

29 Junho, 2014 0

Quer a anorexia quer a bulimia são desvios do comportamento alimentar e têm em comum uma representação distorcida da forma corporal e um medo patológico de engordar. Em ambos os casos, as pessoas julgam-se pela sua forma física, constituindo estes os transtornos alimentares mais frequentes e também os mais conhecidos.

As desordens alimentares parecem ter chegado para ficar. Sobretudo a anorexia e a bulimia. Fala-se delas, escrevem-se livros, multiplicam-se reportagens com testemunhos, dão-se exemplos famosos, contam-se histórias de meninas que buscam a perfeição do corpo a todo o custo, com sacrifício da sua própria saúde.

Meninas com uma relação difícil com os alimentos, que encontram neles a culpa dos seus (tantas vezes imaginados)quilos a mais ou que encontram neles a expiação da sua culpa de acharem que não conseguem ser perfeitas.

As anorécticas não comem devido ao seu medo intenso de ganhar peso, esforçando-se por mantê-lo abaixo do normal numa verdadeira ditadura em que a balança é o juiz supremo.

Sentem-se gordas quando estão magras, sentem-se culpadas quando comem, perdem a auto-estima, pensam o pior de si próprias. As bulímicas também se sentem culpadas e também vivem excessivamente preocupadas com o controlo do seu peso.

Com a diferença de que soçobram a verdadeiros ataques de fome, comendo compulsivamente até que a culpa ou o medo de engordar as leva a uma luta dolorosa para provocar o vómito e assim expulsar os indesejáveis alimentos.

Em ambos os casos, esta obsessão pela perfeição do corpo implica alterações emocionais, da irritabilidade à tristeza, podendo culminar na depressão.

Não são, porém, os únicos e de um outro se começa agora a falar: as crises de voracidade alimentar. São protagonizadas por pessoas que perdem o domínio de si mesmas perante a comida.

Pessoas que devoram uma grande quantidade de alimentos num curto espaço de tempo, quase sem mastigar ou lhes sentir o gosto. Pessoas que em cada um desses ataques ingerem para cima de três mil calorias, já que a voracidade se dirige sobretudo aos doces, hidratos de carbono e gorduras.

 

Crises de voracidade

Ataques frequentes ao frigorífico em plena madrugada para devorar, de um trago e sem saborear, todos os doces e afins que por lá existam podem ser indício de uma desordem alimentar: as chamadas crises de voracidade alimentar que fazem dos seus protagonistas comedores compulsivos.

São verdadeiras aventuras glutonas as que estas pessoas protagonizam.

Comem mesmo sem fome, descontroladamente, até se sentirem empanturradas.

O que sobra é uma indisposição e uma sensação profunda de falta de controlo. E vergonha.

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Muitas vezes estas crises de voracidade alimentar funcionam como uma compensação: ingerem-se doces para substituir outros prazeres que na altura não se conseguem conquistar. Pode ser em períodos de stress ou em momentos que interferem com a afectividade, mas a verdade é que se procura na mesa (ou no frigorífico) a satisfação que de outra forma não se obtém.

Aqui não há uma preocupação mórbida com o peso, com a forma do corpo, não há uma busca da perfeição.

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