Asma: Ar em falta
<h3>Quem sofre de asma sente que o ar lhe falta de tal modo respirar é difícil. Esta é uma doença crónica, que afecta cerca de um milhão de portugueses e que se controla, também com a ajuda das farmácias.</h3>
É simplesmente descrita como “falta de ar” porque este é o sintoma mais visível, e mais aflitivo da asma, uma inflamação crónica dos brônquios, os canais que transportam o ar que respiramos aos pulmões – quer o oxigénio que entra, quer o dióxido de carbono que é expulso.
A inflamação, com consequente espessamento das paredes, deixa estes canais mais estreitos, assim como outros mecanismos como a contracção dos músculos e a produção de uma grande quantidade de secreções. Seja como for, a passagem do ar é dificultada.
Daqui resultam os sintomas que caracterizam a asma: além da falta de ar (de seu nome científico dispneia), a pieira, a tosse e aperto torácico. Para respirar, um doente asmático em crise tem de fazer um esforço maior e quando respira ouve-se como um assobio – é o ruído que o ar faz ao abrir passagem pelos brônquios, mais apertados do que numa pessoa saudável. A tosse surge mais à noite ou ao início da manhã, melhorando ao longo do dia.
Já o aperto torácico é descrito como se houvesse um cinto a apertar o peito. A estes sintomas é frequente juntar-se o cansaço.
São sintomas cuja presença pode ser desencadeada por circunstâncias normais do dia-a-dia ou agentes ambientais perfeitamente inofensivos para a maioria das pessoas mas que sensibilizam o organismo de um doente com asma. É o caso dos chamados alergenos, substâncias que estão na origem de reacções alérgicas – o pólen das flores, árvores e arbustos, os ácaros do pó doméstico, o pêlo de animais, alguns alimentos (sobretudo devido à existência de aditivos) e alguns medicamentos (como a “aspirina” ou a penicilina).
A estes factores juntam-se outros como o exercício físico, o frio e as mudanças bruscas de temperatura, o fumo (principalmente do tabaco e da lenha a queimar), a poluição (exterior e interior), as infecções respiratórias virais (como a constipação) e as emoções fortes (quando dão origem a riso ou choro).
As várias faces da asma
Qualquer um destes elementos pode ser o gatilho que faz disparar uma crise de asma, em que a dificuldade em respirar é o denominador comum.
Normalmente, as crises declaram-se de uma forma lenta e progressiva, dando tempo a agir, mas algumas podem pôr a vida em risco se não houver intervenção rápida.
A própria intensidade dos sintomas varia de doente para doente e mesmo em cada doente, já que podem manifestar-se com frequência ou desaparecer durante períodos mais o menos longos. Esta irregularidade também caracteriza as crises de asma, que se classificam precisamente de acordo com a frequência e intensidade da sintomatologia, bem como a necessidade de utilizar, ou não, medicamentos.
Assim, consideram-se quatro graus, de que o primeiro é a asma intermitente: os sintomas surgem menos de uma vez por semana ou o doente acorda com os sintomas duas ou menos vezes por mês.
O segundo grau corresponde à asma persistente ligeira, caso em que os sintomas se declaram, uma ou mais vezes por semana mas menos de uma vez por dia, ou quando o doente acorda com os sintomas mais de duas vezes por mês.

