Asma: Ar em falta
No terceiro grau, definido como asma persistente moderada, os sintomas são diários, acordando o doente com eles mais de uma vez por semana, com crises que afectam a sua actividade diária e requerem tratamento preventivo a longo prazo. O grau de maior gravidade é o da asma persistente grave, em que os sintomas são permanentes, acordando frequentemente o doente durante a noite e limitando a sua actividade diária.
Nesta situação é necessária uma intervenção farmacológica mais pesada. É a partir da presença dos sintomas que se avança para o diagnóstico, que envolve exames específicos para determinar sinais de obstrução dos brônquios como a avaliação da função respiratória, para comprovar essa obstrução e a sua reversibilidade que caracteriza a asma. A avaliação clínica e funcional permite enquadrar cada caso num dos estágios definidos e, em função disso, conceber uma estratégia terapêutica adequada.
Doença crónica, mas controlável
O tratamento da asma assenta numa tripla vertente – evicção dos elementos desencadeantes (evitar, tanto quanto possível, a exposição aos factores que causam os sintomas, como o pó, o pólen, o fumo…), medicamentos preventivos e medicamentos para as crises.
Evitar o aparecimento dos sintomas é o objectivo do tratamento preventivo com fármacos anti-inflamatórios, que o doente deve manter mesmo que se sinta bem. Esta é, aliás, uma das principais dificuldades no controlo da asma, existindo uma tendência para abandonar esta medicação nos períodos sem sintomas.
Quanto ao tratamento das crises, faz-se com recurso a medicamentos que contribuem para dilatar os brônquios e, assim, facilitar a passagem de ar. São intervenções que se complementam, sendo ambas indispensáveis.
A asma não tem cura, mas é controlável. É uma doença crónica mas o facto de evoluir por crises, com períodos de acalmia entre os episódios mais agudos, leva os próprios doentes a negligenciarem a terapêutica.
Sentem-se melhor e acreditam que podem dispensar os medicamentos, mas a irregularidade do tratamento contribui para agravar a doença, afectando seriamente a qualidade de vida. O que também prejudica o controlo da asma é o facto de os doentes se habituarem a respirar mal, perdendo a capacidade de reconhecer a sua dificuldade respiratória.
Inalar bem é preciso
O controlo da asma envolve, quase sempre, o uso de um inalador, pois desta forma o medicamento alcança mais depressa os brônquios sendo necessárias dores muito menores dos fármacos. E maior rapidez de acção no caso dos broncodilatadores.
Existem vários tipos de dispositivos para inalação, de acordo com os doentes a que se destinam: as crianças com menos de dois anos deverão usar um aerossol pressurizado, comuma câmara expansora e máscara facial ou, em alternativa, um nebulizador; dos dois aos cinco anos, beneficiam do mesmo sistema, mas sem necessidade de uso de máscara facial, enquanto as mais velhas já conseguem usar um inalador activado pela respiração ou um inalador de pó seco.
Mas, para obter o máximo benefício do inalador é preciso usá-lo correctamente: se assim não for, há o risco de se desperdiçar o medicamento, não se inalando a dose necessária, bem como o risco de ele ser desviado para o estômago, podendo dar origem a uma ligeira alteração do ritmo cardíaco.

