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Aprender a falar… falar a brincar

15 Abril, 2007 0

Há crianças que revelam algumas dificuldades na comunicação, ou porque a fala não surge na idade apropriada ou porque se detêm em determinados estados de desenvolvimento da linguagem por demasiado tempo. Nestes casos, a terapia da fala é chamada a intervir.

Com a meiguice estampada no rosto e a traquinice característica dos seus 4 anos, Ângelo frequenta semanalmente as sessões de terapia da fala desde os 3 anos e 6 meses. O nascimento prematuro, com apenas 6 meses de gestação, trouxe-lhe pro­blemas ao nível da linguagem. Francisco Sousa, pai de Ângelo, afirma que «todos os bebés prematuros têm pro­blemas e o do Ângelo foi ao nível da fala».

Os pais aperceberam-se de que algo estava mal quando, aos 2 anos, o Ângelo não conseguia construir frases, por comparação com o irmão, que na idade dele já possuía meios de comunicação mais desenvolvidos.

Francisco confessa que, por um lado, se apercebia de que algo não estava bem, mas havia também uma recusa em admiti-lo:

«Quando ele não conseguia dizer determinadas palavras, fazíamos por compreendê-lo. Até que percebemos que não o estávamos a ajudar.»

A primeira desconfiança destes pais recaiu sobre a hiperactividade.

«Não se conseguia concentrar, era muito irrequieto, mas os exames diagnostica­ram-lhe dificuldades na fala e na compreensão», conta Francisco Sousa.

Ângelo não falava, a não ser por pistas, e não construía frases com mais de duas palavras.

«O irmão não o entendia e só brincavam juntos em jogos que não envolvessem uma comunicação mais elaborada. O Ângelo ressentia-se e o resultado era afastar-se e retrair-se», recorda Francisco.

Outra situação apontada pelo pai diz respeito à competitividade natural que há entre irmãos:
«Se fazíamos uma pergunta dirigida aos dois, o Ângelo gritava para que o irmão não respondesse primeiro que ele.»

O pediatra encaminhou-o, então, para uma avaliação de terapia da fala.

De acordo com Francisco, os resultados são visíveis:
«A evolução foi muito positiva e ele está bastante melhor. Mesmo a nível de relacionamento com os outros. Já não é uma criança retraída, brinca com o irmão e na escola vai bem melhor. Ele também se apercebia que alguma coisa não estava bem e notou que nós, os pais, fizemos e estamos a fazer um esforço e esta é a maneira de ele retribuir. Aliás, na escola e em casa sente-se mais confiante.»

A terapia da fala

A terapia da fala está associada à comunicação humana (fala e linguagem), assim como a perturbações relacionadas com as funções auditiva, visual, cognitiva, oromuscular, respiração, deglutição e voz. A intervenção terapêutica pode ser realizada em crianças e adultos, envolve a terapia, reabilitação e reintegração no meio social e profissional, bem como intervenção precoce, orientação e aconse­lhamento, como esclarece a Dr.ª Andreia Rodrigues, terapeuta da fala no Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente (ESCA) e na Clínica Ponto da Saúde.

Na criança, as dificuldades relacionadas com a linguagem/fala podem reve­lar-se quando esta surge tardiamente, ou quando por exemplo aos 3 anos ainda não produz frases ou possui um vocabulário reduzido. Um discurso pouco perceptível, com alterações na fluência e na articula­ção verbal podem constituir sinais de alerta para os pais.

No desenvolvimento da linguagem, a criança passa por várias etapas em dife­rentes idades, adquirindo novos conhecimentos linguísticos. Pode acontecer manter-se numa etapa do desenvolvimento por mais tempo do que seria esperado para a sua faixa etária, não conseguindo avançar, surgindo os tais sinais de alerta. Torna–se, muitas vezes, pertinente realizar uma avaliação, para determinar se as características da comunicação da criança são ou não adequadas à sua idade. O diagnóstico é feito após uma avaliação (perceptiva e/ou instrumental), complementado com informação proveniente de uma entrevista com os pais, e/ou do profissional que encami­nhou a criança para a terapia da fala.

O plano terapêutico é elaborado de acordo com o quadro clínico da criança. A intervenção decorre num ambiente lúdico, utilizando material didáctico e informático.

«É importante que as sessões motivem as crianças. Um dos objectivos é que se sintam à-vontade e gostem do espaço onde vão “brincar para aprender a falar”», refere Andreia Rodrigues.

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