Arquivo de Terapia da Fala - Médicos de Portugal

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O que é a Voz?

Desde sempre, que o homem sente necessidade de comunicar, sendo a voz um dos veículos de transmissão da mensagem, de forma a expormos as nossas ideias com clareza e eficácia. Também constitui um instrumento, relevante na socialização (como factor de estabelecimento das relações), estimulando reacções de interesse, de alegria, permitindo desenvolver afectividade. Pode-se considerar a voz, como o resultado da expressão corporal, dependente do bem estar físico e psíquico do indivíduo.

A voz, deve possuir um conjunto de características (intensidade, altura, duração e ritmo), permitindo um uso adequado e sua percepção agradável aos outros. Quando estas características, se alteram, instala-se um desvio, ou seja, deixa de ser aceite como “normal” se não estiver adequada ao sexo, à idade ou ao contexto sócio-cultural.



Como se produz a Voz?

1º Ao sentir vontade de falar, o cérebro transmite impulsos nervosos aos músculos do sistema respiratório,

2º esses músculos, ao contraírem-se, geram uma determinada pressão sob o volume de ar nos pulmões, que é forçado a subir ao longo da traqueia,

3º chegando à laringe (onde se situam as pregas vocais, formando um V invertido), o ar flui pelas pregas vocais, colocando-as em vibração, gerando um som,

4º esse som é modulado/amplificado, pelas estruturas do tracto vocal (cavidades de ressonância: faríngea, bucal e nasal e estruturas articulatórias, que se movimentam: lábios, língua e mandíbula), originando a voz, como um conjunto de sons da fala.

Qualquer alteração, ao longo desta via, quer seja por motivos estruturais e/ou comportamentais, irá condicionar uma boa qualidade vocal. As alterações da qualidade vocal designam-se por Disfonias.



O que prejudica a Voz?


Tabaco

Existe evidência científica quanto aos efeitos do tabaco na laringe, nomeadamente às alterações morfológicas e funcionais que ocorrem nas pregas vocais e consequentemente originam uma má qualidade vocal. A qualidade vocal vai-se deteriorando, muitas vezes sem que o indivíduo se aperceba, uma vez que esse efeito é gradual.





Com a meiguice estampada no rosto e a traquinice característica dos seus 4 anos, Ângelo frequenta semanalmente as sessões de terapia da fala desde os 3 anos e 6 meses. O nascimento prematuro, com apenas 6 meses de gestação, trouxe-lhe pro­blemas ao nível da linguagem. Francisco Sousa, pai de Ângelo, afirma que «todos os bebés prematuros têm pro­blemas e o do Ângelo foi ao nível da fala».

Os pais aperceberam-se de que algo estava mal quando, aos 2 anos, o Ângelo não conseguia construir frases, por comparação com o irmão, que na idade dele já possuía meios de comunicação mais desenvolvidos.

Francisco confessa que, por um lado, se apercebia de que algo não estava bem, mas havia também uma recusa em admiti-lo:

«Quando ele não conseguia dizer determinadas palavras, fazíamos por compreendê-lo. Até que percebemos que não o estávamos a ajudar.»

A primeira desconfiança destes pais recaiu sobre a hiperactividade.

«Não se conseguia concentrar, era muito irrequieto, mas os exames diagnostica­ram-lhe dificuldades na fala e na compreensão», conta Francisco Sousa.

Ângelo não falava, a não ser por pistas, e não construía frases com mais de duas palavras.

«O irmão não o entendia e só brincavam juntos em jogos que não envolvessem uma comunicação mais elaborada. O Ângelo ressentia-se e o resultado era afastar-se e retrair-se», recorda Francisco.

Outra situação apontada pelo pai diz respeito à competitividade natural que há entre irmãos:
«Se fazíamos uma pergunta dirigida aos dois, o Ângelo gritava para que o irmão não respondesse primeiro que ele.»

O pediatra encaminhou-o, então, para uma avaliação de terapia da fala.

De acordo com Francisco, os resultados são visíveis:
«A evolução foi muito positiva e ele está bastante melhor. Mesmo a nível de relacionamento com os outros. Já não é uma criança retraída, brinca com o irmão e na escola vai bem melhor. Ele também se apercebia que alguma coisa não estava bem e notou que nós, os pais, fizemos e estamos a fazer um esforço e esta é a maneira de ele retribuir. Aliás, na escola e em casa sente-se mais confiante.»



A terapia da fala

A terapia da fala está associada à comunicação humana (fala e linguagem), assim como a perturbações relacionadas com as funções auditiva, visual, cognitiva, oromuscular, respiração, deglutição e voz. A intervenção terapêutica pode ser realizada em crianças e adultos, envolve a terapia, reabilitação e reintegração no meio social e profissional, bem como intervenção precoce, orientação e aconse­lhamento, como esclarece a Dr.ª Andreia Rodrigues, terapeuta da fala no Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente (ESCA) e na Clínica Ponto da Saúde.

Na criança, as dificuldades relacionadas com a linguagem/fala podem reve­lar-se quando esta surge tardiamente, ou quando por exemplo aos 3 anos ainda não produz frases ou possui um vocabulário reduzido. Um discurso pouco perceptível, com alterações na fluência e na articula­ção verbal podem constituir sinais de alerta para os pais.

No desenvolvimento da linguagem, a criança passa por várias etapas em dife­rentes idades, adquirindo novos conhecimentos linguísticos. Pode acontecer manter-se numa etapa do desenvolvimento por mais tempo do que seria esperado para a sua faixa etária, não conseguindo avançar, surgindo os tais sinais de alerta. Torna--se, muitas vezes, pertinente realizar uma avaliação, para determinar se as características da comunicação da criança são ou não adequadas à sua idade. O diagnóstico é feito após uma avaliação (perceptiva e/ou instrumental), complementado com informação proveniente de uma entrevista com os pais, e/ou do profissional que encami­nhou a criança para a terapia da fala.

O plano terapêutico é elaborado de acordo com o quadro clínico da criança. A intervenção decorre num ambiente lúdico, utilizando material didáctico e informático.

«É importante que as sessões motivem as crianças. Um dos objectivos é que se sintam à-vontade e gostem do espaço onde vão “brincar para aprender a falar”», refere Andreia Rodrigues.





Um dos objectivos deste dia é o de informar melhor o grande público e profissionais, não só sobre o desenvolvimento da linguagem nessa faixa etária, mas também sobre actividade do Terapeuta da Fala.



O que é a Terapia da Fala?

A Terapia da Fala desenvolve actividades no âmbito da prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana, englobando todos os processos associados à compreensão e produção da linguagem oral e escrita, assim como todas as formas apropriadas de comunicação não verbal. (Dec.Lei nº.320/99, de 11 de Agosto)



O que faz o Terapeuta da Fala?

É o profissional responsável pela prevenção, avaliação, diagnóstico, tratamento e estudo científico da comunicação humana e perturbações relacionadas, ao nível da fala e linguagem bem como alterações relacionadas com as funções auditiva, visual, cognitiva (incluindo a aprendizagem), oro-muscular, respiração, deglutição e voz. (Dec.Lei nº.564/99, de 21 de Dezembro)



Áreas de Intervenção:

*Linguagem (fonologia, morfologia, sintaxe, semântica; processamento da linguagem, incluindo a compreensão e expressão oral, escrita, gráfica e gestual; competências de pré-literacia, literacia e de numeracia)

*Fala (articulação verbal; fluência, como a gaguez; voz e ressonância, incluindo as componentes aerodinâmicas da respiração)

*Comunicação não-verbal (como a mímica)

*Deglutição e funções relacionadas (como aspectos alimentares /mastigação)

*Cognição (atenção, memória, resolução de problemas e funções executivas)





Actividades que favorecem o desenvolvimento da Compreensão Verbal.

● Associem o gesto à fala, em expressões do quotidiano: “adeus!, dá cá, vem cá, ali, aqui, eu, tu”;

● Digam o nome do que vos rodeia, por categorias, de forma aumentar o vocabulário: partes do corpo (enquanto se veste ou toma banho), peças de roupa (à medida que se veste ou que se despe), alimentos (quando faz compras, cozinha ou durante as refeições), nomes de locais que vai com frequência (a escola, a sua casa, a dos avós, o supermercado, etc), animais, cores (da roupa, dos lápis, da mobília da casa, etc);

● Recortem figuras de revistas/folhetos e colem num caderno (folhas brancas), agrupando por categorias;

● Joguem o “jogo de categorias”: primeiro definir a categoria (por exemplo: animais) e depois cada jogador nomeia um elemento (por exemplo: cão, gato, pato...);

● Joguem o “jogo de contrários”: peça à criança para completar as frases (por exemplo: o contrário de grande é..., o contrário de quente é...) e dê exemplos: elefante (grande)/rato (pequeno); sopa (quente)/gelado (frio);

● Descrevam o que estão a fazer, a ver, ouvir e/ou sentir;

● Brincar ao “para que serve?” em que a criança descubra para que servem os objectos (bebo água por um..., corto o pão com ..., penteio o cabelo com ..., limpo as mãos à..).


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