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Aprender a falar… falar a brincar

15 Abril, 2007 0

Falemos em estratégias

Para a terapeuta, faz mais sentido falar em estratégias do que em técnicas:
«Essas são muito variadas e devem ser adequadas a cada caso, não existe uma receita tipo “chapa cinco”, até porque uma estratégia pode resultar com uma criança e com outra não.»

É importante ter bom senso na intervenção terapêutica. O género de jogos utilizados é muito variado, desde jogos com figuras, animais ou objectos. Tudo para a criança conhecer, dizer o respectivo nome e encontrar os sons que tem dificuldade em articular.

Chave, carro, cavalo são exemplos de palavras que o Ângelo já consegue dizer.

O espelho é também um material a que a terapeuta recorre. Segundo a especialista, «para que a criança tenha feed-back visual da posição e movimento da língua e dos lábios na produção dos sons que não consegue articular».

O computador é outro recurso material que constitui uma mais-valia para a intervenção, já que as crianças estão cada vez mais familiarizadas com este tipo de suporte.

A terapeuta realça o carácter de parceria em que esta valência clínica tem de se basear. A terapia da fala consiste no apoio bissemanal (conforme o quadro clínico) individualizado e num trabalho em equipa com todos os intervenientes: família, escola (educadora e professora) e outros profissio­nais de saúde (pediatra, otorrino, psicólogo).

A participação activa dos pais é muito importante para o sucesso da terapia e acrescenta que o seu papel é tão relevante quanto o da terapeuta.

«É do trabalho em parceria com eles que resulta a eficácia da terapia, reduzindo o tempo do apoio e consolidando as novas aquisições da criança», afirma Andreia Rodrigues, prosseguindo:
«O rendimento da sessão terapêutica fica comprometido quando não há continuidade no apoio, colaboração e assiduidade por parte dos pais em todo o processo terapêutico.»

Conselhos para os pais

Existem várias atitudes comunicativas que os pais podem ter e que constituem verdadeiras acções terapêuticas, contribuindo para a evolução dos seus filhos. Por exemplo, após a avaliação, Andreia Rodrigues elabora um relatório com informação sobre os resultados da avaliação e orientações sobre como comunicar com a criança.

«Por vezes, os pais têm determinadas atitudes quando comunicam com a crian­ça, pensando que a estão a ajudar, no entanto, por vezes, acabam por dificultar o seu desenvolvimento linguístico. Há que ajudar os pais nesse sentido», comenta a terapeuta.

Será benéfico que os pais falem com o filho devagar, de frente para ele, por vezes façam de conta que não o percebem, de forma a que ele reformule o seu discurso.

«Uma das tendências que os pais têm é, por exemplo, quando o filho tem dificuldade em responder a uma questão, respon­derem por ele, não esperando pelas suas respostas», frisa a terapeuta, que aconselha vivamente que os pais deixem falar a criança sempre que tome a iniciativa.

Outras das atitudes que os pais podem adoptar é elogiar o esforço que o menor está a fazer em comunicar. Não devem também infantilizar a fala, mas sim utilizar palavras e frases simples.

A terapeuta deixa um outro conselho:
«Se a criança pronunciar ou construir mal o seu discurso, os pais devem repetir de forma correcta o que ela tentava dizer, sem, no entanto, a obrigar a repetir.

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