75% dos portugueses não cuida da pele correctamente
Quando questionados sobre o seu tipo de pele, 27% admite ter pele seca. Cruzando este dado com o facto de a grande maioria dos portugueses não hidratar a pele diariamente, podemos constatar que este é um cenário que se poderá tornar preocupante pois uma pele mal hidratada torna-se uma porta aberta para um grande número de problemas, facto que é agravado quando falamos de peles tendencialmente secas e muito secas. Dra. Leonor explica que “A nossa pele tem a responsabilidade de nos proteger contra as diferentes agressões do meio exterior, como sejam os microrganismos, as poeiras, o vento, o frio e o sol. Para que isso aconteça a pele tem de estar saudável, isto é, ser flexível, maleável, macia, ter a sua superfície intacta e a quantidade de lípidos adequada para a manter “impermeável”. Mas a realidade é que as agressões diárias provocadas pelo clima, roupa apertada e hábitos de higiene débeis ou demasiado agressivos tornam a pele mais frágil e sujeita a descamar e inflamar. (…) A aplicação de um produto rico em lípidos em todo o corpo, creme ou loção, após o banho, é fundamental – ajuda a selar a água dentro das células, nas camadas superficiais da pele, evitando que esta se perca e a pele pareça “desidratada”. Torna também a pele mais resistente aos agentes agressores, menos descamativa e menos irritável. Quanto melhor for a camada hidrolipídica superficial da pele menos esta descama e menos vezes temos prurido (comichão), vermelhidão e fissuras ou gretas. Isto é particularmente importante em zonas do corpo mais sujeitas a agressões, como as mãos e pés, e em zonas típicas de pele mais seca, como sejam as pernas.”
Este tipo de cuidados ganha uma importância acrescida quando consideramos a estreita relação entre uma pele saudável e o bem-estar emocional. Dra Catarina Severiano, psicóloga do Hospital de Torres Vedras, afirma que “É actualmente reconhecida cientificamente a estreita relação e interacção entre a pele e a mente. A pele desempenha uma função de extrema importância para o organismo humano. Funciona como barreira protectora, que separa o interior do exterior. É o nosso envelope corporal. É através dela que nos relacionamos intimamente com o outro, logo é também através dela que, muitas vezes, exteriorizamos o que sentimos e que, por vezes, dificilmente verbalizamos.”
Mulheres e jovens tendem a usar mais produtos correctos e adequados ao seu tipo de pele, do que os homens e indivíduos nas faixas etárias dos 40 aos 55 anos, facto que se pode dever à identidade cultural do País. Quando comparamos os dados entre homens e mulheres encontramos também uma enorme diferença no que toca à hidratação, enquanto 92% das mulheres admite utilizar esporadicamente produtos de hidratação, 63% dos homens confessa que não os usa.
Apenas 38% dos Portugueses hidrata a pele todos os dias, sendo que a frequência de hidratação da pele aumenta no Verão.
De forma a avaliar o conhecimento sobre a própria pele, a amostra foi questionada sobre as suas próprias doenças cutâneas e unicamente 6% reconhece ter algum tipo de problema diagnosticado, sendo que as mais informadas sobre esta questão são as mulheres. Dra. Leonor afirma que “A verdade é que a maioria das pessoas tende a não valorizar as doenças de pele, pois há a percepção de que os problemas de pele passam com o tempo. Na realidade nem sempre é assim e muitos dos problemas podem ser resolvidos e evitar sequelas (como as cicatrizes do acne, por exemplo) se devidamente acompanhados por dermatologista.”

