Depressão sazonal: Vontade de hibernar
A idade também parece desempenhar o seu papel, na medida em que este é um problema mais comum a partir dos 25 anos, sendo muito raro abaixo dos 20. É também mais frequente entre o sexo feminino, embora no masculino os sintomas possam ser mais acentuados.
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Não há, contudo, explicações para estas diferenças, até porque a depressão sazonal é pouco diagnosticada. E, no entanto, quando não tratada pode ter consequências tão graves como a depressão propriamente dita, esta, sim, reconhecida como uma doença psiquiátrica. Quando a pessoa se desinteressa pelas actividades habituais há o risco de o desempenho profissional ou académico baixar, o que pode ser difícil de gerir.
Quando o humor sofre alterações súbitas, pode estar aberta a porta a conflitos nas relações sociais – com superiores hierárquicos ou colegas, com familiares ou amigos. O isolamento social pode ser uma consequência a prazo, bem como o refúgio no consumo – excessivo – de substâncias como o álcool ou as drogas.
Não são de descartar as tentativas de suicídio, impelidas pelos pensamentos depressivos.
Luz contra os pensamentos negros
São efeitos a não negligenciar e que se podem contornar com tratamento adequado. Há, pois, que procurar ajuda profissional perante alterações no humor e nos comportamentos. Se os padrões de sono e apetite estão a mudar sem explicação, se os pensamentos são mais negros do que os dias de Inverno, se as bebidas alcoólicas são uma fonte de conforto cada vez mais recorrente – está na altura de ir ao médico.
Tal como a depressão, é possível tratar esta desordem sazonal. Com medicamentos antidepressivos, sobretudo se os sintomas forem severos, podendo ser aconselhada a toma preventiva: isto é, antes de os sintomas se declararem, tendo em conta que a depressão sazonal surge todos os anos, na mesma altura.
A psicoterapia é também uma alternativa, ainda que a depressão sazonal esteja essencialmente ligada a mecanismos biológicos: contudo, pode ser útil para ajudar a lidar com as mudanças nos sentimentos e nos comportamentos.
Na primeira linha do tratamento está a fototerapia: usa-se a luz para amenizar uma condição que é desencadeada pela ausência de luminosidade. A fototerapia melhora os sintomas ao actuar sobre o organismo tal como a luz solar, mas sem os efeitos da radiação ultravioleta.
É através dos olhos e não da pele que se colhem os benefícios desta terapia: os fotões são captados pela retina e daí transmitidos ao cérebro, onde fazem diminuir a libertação de melatonina e aumentar a produção de serotonina, voltando a equilibrar o humor.
A exposição a esta luz artificial deve, naturalmente, ser controlada, em sessões de curta duração, de acordo com as indicações médicas. Embora existam aparelhos passíveis de serem utilizados em casa, este não é um tratamento para fazer por iniciativa própria, mas apenas com recomendação clínica.
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Mas, se tudo correr bem, os benefícios surgem ao fim de algumas sessões: a sensação de fadiga vai desaparecendo e dando lugar à energia habitual, a ansiedade vai-se desvanecendo e a tristeza também, aumentando o bem-estar. Até que, finalmente, os pensamentos e os dias já não são tão cinzentos – e o bom tempo regressa em todos os sentidos.

