Cocaína, Heroína, Haxixe, Ecstasy - Consumo abusivo de substâncias causa perturbações no humor - Médicos de Portugal

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Cocaína, Heroína, Haxixe, Ecstasy – Consumo abusivo de substâncias causa perturbações no humor

22 Junho, 2017 0
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Quando se fala em toxicodependências, não raras vezes se pensa em substâncias ilegais mas há outras legais que deixam sequelas no humor.

Basicamente são três os tipos de substâncias capazes de provocar alterações no estado de espírito de quem as consome de uma forma abusiva: psicanalépticas, psicodislépticas e psicolépticas. Mal-usadas, além de criarem dependência, podem causar perturbações no humor, bem como acentuar ou esconder outras patologias mentais. Por exemplo, entre os toxicodependentes é mais frequente do que se julga a doença bipolar.

Traduzindo para uma linguagem mais simples, as substâncias psicanalépticas são os estimulantes, as psicodislépticas ou psicadélicas provocam perturbações das percepções, e as psicolépticas são sedativas. Conheça mais sobre cada uma delas…

Substâncias psicanalépticas

«Quando se abusa de estimulantes é de esperar que haja um efeito psicoestimulante com manifestação, nomeadamente desinibição e exaltação do humor», refere o Dr. Luís Patrício, psiquiatra, director do CAT das Taipas, em Lisboa, sublinhando que «numa fase inicial estas substâncias deixam o consumidor desinibido, com algumas, até eufórico, e mais tarde é que se dá uma alteração inversa».

Existem, contudo, indivíduos que, por sofrerem de perturbações do humor, são medicados com antidepressivos, que também são psicanalépticos, com a finalidade de tratarem uma anomalia do foro psíquico.

Todavia, uma situação é usar as substâncias por imperativos de saúde e com acompanhamento médico, outra é usar (e abusar) das mesmas.

Ora, os indivíduos que não sofrem de perturbações do humor mas que usam essas substâncias estão a alterar o pró­prio funcionamento mental e a criar um ciclo de dependência. Isto porque, com o consumo continuado e abusivo, suportam mal a ausência de estimulantes. Quanto às substâncias propriamente ditas, a cocaína e as anfetaminas servem para exemplificar.

«A cocaína tem um efeito muito rápido e as anfetaminas uma acção mais prolongada», diz Luís Patrício, prosseguindo:

«A privação aguda destas substâncias, em doentes com dependência estabelecida, implica uma vivência depressiva. A vacuidade que é experimentada pelo doente é muito intensa, por isso temos de estar atentos para a probabilidade de risco de suicídio ou de comportamentos perigosos que possam surgir na ânsia de procurar nova dose de cocaína.»

Existem substâncias também estimulantes e de consumo diário que estão legalizadas, como a nicotina e a cafeína. Contudo, «apesar de terem uma acção estimulante, diferem bastante da cocaína e das anfetaminas a nível de efeitos, na criação de dependência e nos sintomas de ausência de consumo», explica o psiquia­tra, que acrescenta:

«No consumo de nicotina e cafeína não se coloca questões ao nível de grave perturbação mental, embora nós todos conheçamos alguém que seguramente sente algum mal-estar quando deixa de fumar ou quando não bebe o café a que está habituado. Pode inclusive surgir uma certa irritabilidade na privação destas substâncias.»

Substâncias psicolépticas

Responsável pela morte lenta ou rápida de inúmeros indivíduos, que a começaram por fumar e só depois a injectar, a heroína é talvez o melhor exemplo de uma substância psicoléptica.

«De acção tranquilizante, o que mais nos preocupa em relação aos opiáceos, é o potente efeito sedativo, muito grave na situação de overdose», comenta o mesmo psiquiatra.

«Mas, antes de ter um efeito sedativo», continua, «a heroína causa euforia, sendo por isso responsável pela relação de maior proximidade que o consumidor vai estabelecendo com a substância até à criação da dependência».

Neste seguimento, de acordo com Luís Patrício, «na ausência de consumo de heroína, a pessoa dependente pode apresentar um quadro crónico de perturbação de humor, que nada tem a ver com a depressão, mas como se fosse uma deficiência, ou seja, como se, sem aquela substância não conseguisse viver. Por isso é que as terapias de substituição ao opiáceo têm um resultado bastante favorável».

Substâncias psicodislépticas

Comparativamente com LSD, o nome dietilamida do ácido lisérgico não é associado a nenhuma droga. Pois é, ambos significam o mesmo e são o exemplo mais típico de uma substância psicodisléptica, assim como o popular ecstasy (também anfetamínico) e as pastilhas similares.

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