Cocaína, Heroína, Haxixe, Ecstasy - Consumo abusivo de substâncias causa perturbações no humor - Médicos de Portugal

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Cocaína, Heroína, Haxixe, Ecstasy – Consumo abusivo de substâncias causa perturbações no humor

22 Junho, 2017 0
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«Tanto o LSD como outros “ácidos” são substâncias que perturbam o funcionamento do cérebro e provocam graves alterações da percepção e do pensamento entre as quais causando alucinações, delírios e ilusões», sustenta Luís Patrício, salientando:

«Mas, entre nós, a substância psicodisléptica mais frequentemente consumida em abuso é o THC ou tetraidrocannabibol, que existe no haxixe, a resina da cannabis.»

E continua: «No consumidor crónico de haxixe, encontramos um quadro sintomatológico, síndrome amotivacional, que não responde de uma forma brilhante à terapêutica farmacológica com antidepressivos, sendo, por isso, necessário que o doente faça um afastamento do consumo de haxixe para poder reencontrar a capacidade de sentir e a vivacidade que não consegue ter sob o efeito desta substância.»

Recuperar o humor perdido

«As substâncias não são más em si, ou seja, são o que são. A atitude das pessoas perante aquilo que existe é que pode ser adequada ou danosa para a saúde», afirma o psiquiatra.

Sendo uma substância medicamentosa, prescrita pelo profissional de saúde, à partida, o uso será adequado, pois, o especialista objectiva melhorar a condição de vida do doente. Pior, é quando o consumo é feito indiscriminadamente, sem ser como terapêutica, sejam substâncias legais e ilegais como de certos medicamentos…

«O indivíduo que faz um consumo de abuso tem que ser ajudado a compreender que esse consumo é de certo modo uma resposta que encontra perante uma determinada dificuldade», explica o director do CAT das Taipas. Assim, conforme o psiquiatra, «quando propomos que o doente modifique aquela resposta danosa para a saúde, temos de procurar uma alternativa suficientemente confortável e adequada para que não recue para a resposta danosa».

Também pode acontecer que as substâncias ilícitas sejam usadas como autoterapia, devido a perturbações de humor, que poderão esconder uma patologia mais grave. Só depois de se suspender o consumo é que será possível diagnosticar uma doença psiquiátrica, como a esquizofrenia ou a doença bipolar.

Por isso, segundo este psiquiatra, «para devolver à pessoa a responsabilidade de gerir a sua vida e contribuir para que não volte aos consumos de abuso, é importante perceber o que está por detrás dos consumos, assim como compreender a própria psicopatologia que possa advir dos próprios consumos».

Alguns doentes são acompanhados durante um longo período, nomeadamente, até o terapeuta considerar que estão criadas as condições psicológicas e psicossociais para a estabilização do humor.

Neste sentido, Luís Patrício defende a prescrição de determinados fármacos como instrumentos de preparação para a posterior ruptura com o consumo de abuso.

«Vamos pensar num doente psicótico que teve a infelicidade de fazer consumos de heroína», começa por exemplificar o nosso interlocutor, continuando:

«Com este opiáceo, além do bem-estar, o doente também pode sentir um apaziguamento da sua doença. O tratamento dos sintomas é também o que se pretende com a medicação adequada à patologia. Mas, se os fármacos têm eficácia terapêutica, têm também efeitos secundários desagradáveis, como seja a secura da boca, obstipação, aumento de peso. Assim, entramos numa área de concorrência entre a terapêutica medicamentosa prescrita e cuidada e o uso abusivo de uma substância ilegal.»

Desta forma, tanto o tratamento como o acompanhamento de um especialista são factores chave para o abandono do consumo de substâncias prejudiciais e para a recuperação do humor perdido.

E depois do tratamento?

Dependência rompida e tratamento terminado poderão ficar sequelas, que não são notadas pelos outros muito facilmente.

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