Cocaína, Heroína, Haxixe, Ecstasy – Consumo abusivo de substâncias causa perturbações no humor

«Os indivíduos, que durante muitos anos foram toxicodependentes, podem manter uma certa tristeza, como se colocassem a si próprios um estigma interno», menciona Luís Patrício.
«Há inclusive quem utilize esta noção para fazer vincar diariamente que ainda sofre de uma doença. Compreendo, mas na minha opinião se a doença foi tratada, não está activa ou não existe. Porém, não se excluí uma recaída», acrescenta o psiquiatra, frisando ser importante «não colocar rótulos, nem o de ex-toxicodependente, aos ex-consumidores de substâncias ilícitas, como se fossem menos válidos porque tiveram uma “fractura” psíquica».
O apoio da sociedade a estes indivíduos é essencial para o sucesso do tratamento. Pode, aliás, ser o desfecho da terapêutica. Por exemplo, um doente em fim de tratamento, poderá recair mais facilmente se não for reintegrado ao nível social e profissional, consoante as suas capacidades e responsabilidades.
Consequências sociais, familiares e profissionais
Nas primeiras vezes em que um indivíduo faz um mau uso de uma substância, provavelmente nem imagina o desfecho da situação se continuar a consumir. Apesar de conhecer o final triste de algumas histórias, julga que aquele destino não lhe estará reservado. Pode até nem estar, mas é apenas a probabilidade menos certa… se continuar a consumir.
A situação de dependência de psicoestimulantes – cocaína, anfetaminas – pode atingir níveis de disfunção de tal ordem que a própria pessoa não é capaz de gerir os próprios consumos nem a sua actividade de relação. Portanto, pode perder o controlo porque, acima de tudo, necessita de se sentir estimulada.
«No âmbito da dependência de substâncias psicolépticas, a uma certa altura, haverá uma franca perda da capacidade de executar a actividade laboral, pois a pessoa fica, cada vez mais, num estado sedado», garante Luís Patrício.
A título de exemplo, o mau uso no consumo endovenoso pode causar infecções, abcessos, feridas que, por sua vez, conduzem à exclusão social. O toxicodependente não dá importância às feridas, pois os opiáceos ajudam a suportar a dor.
Por último, entre nós, o consumo de substâncias psicodislépticas, para além do haxixe e da cannabis, não costuma ser diário, sendo normalmente feito durante o fim-de-semana.
«O ecstasy ou as pastilhas são drogas ditas recreativas, de lazer e diversão. Sob efeito destas substâncias, diminui manifestamente o nível de responsabilidade, e de consciência podendo haver alteração da percepção. Por exemplo, pode acontecer que os consumidores não meçam o risco e dancem descalços em cima de chapas de ferro velho e vidros», diz o psiquiatra.
«O consumo», continua, «sendo feito em ciclos, aos fins-de-semana, leva a que muitos consumidores, no domingo, necessitem de fazer medicação sedativa ou de consumir uma substância sedativa ilícita para ficarem sedados, pois o estado de excitação é intenso. A experiência vai se transformando num ciclo frenético de consumo».
A dependência mais frequente dos portugueses
Luís Patrício não deixou de mencionar uma outra dependência que, nas suas palavras, «está relacionada com a substância que mais mau uso e abuso tem em Portugal e que mais danos provoca a nível individual, social e familiar. Refiro-me ao álcool».

