Durma, pela sua saúde!
Dormir é fundamental para a saúde. Mas quantas horas? Não há uma resposta, mas várias. Depende da idade, sendo que os recém-nascidos precisam de dormir mais e os adultos menos. Os adolescentes dormem menos do que deviam e os idosos nem sempre conseguem ter uma boa noite de sono. Mas todos precisam de dormir.
Já não se ouve com muita frequência mas há um ditado popular português que expressa bem a importância do sono para a saúde – é ele “Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer”. É um conselho que, na sociedade actual, se esquece mais do que se devia, ao ponto de Portugal estar entre os países do mundo que mais tarde se deita.
O que, muito provavelmente, significa que se dorme pouco, na medida em que as obrigações – seja o estudo seja o trabalho – começam, quase sempre, de manhã, encurtando o número de horas de sono. Na prática, ao dormirmos menos horas do que necessitamos podemos estar a abrir caminho a um conjunto de problemas: todos os que dormem pouco, não importa a idade, acabam por ver o seu desempenho afectado – crianças e adultos ficam mais cansados e mais irritáveis, o raciocínio fica mais lento, a concentração perde-se mais facilmente, a capacidade de reacção também abranda.
No caso das crianças está provada a associação entre a falta de sono e a diminuição do rendimento escolar e no caso dos adultos crescea percentagem de acidentes laborais e de viação relacionados com a privação de sono. É que o sono é mesmo vital para a manutenção de um estado de saúde em pleno.
E um sono de qualidade deve permitir ao indivíduo acordar repousado, de forma a usufruir do melhor das suas capacidades físicas e intelectuais. O que só acontece quando, em cada noite, se dá uma alternância entre os dois estados do sono – REM (da expressão inglesa “rapid eye movement”, que em português significa “movimento rápido dos olhos”) e não-REM. No primeiro já estamos a dormir, mas é como se estivéssemos acordados, devido à intensa actividade cerebral.
É então que sonhamos. Só com o sono profundo, não-REM, que idealmente corresponde a 75-80% do sono do adulto, descansamos de facto, pois há um abrandamento da frequência cardíaca e respiratória e da tensão arterial.
A esta alternância, que se altera com a idade, chama-se “arquitectura do sono.
[Continua na página seguinte]
Bebés dormem mais…
Se é certo que precisamos de dormir, não é menos certo que não precisamos todos de dormir o mesmo. Um dos factores que influencia a quantidade de sono de que necessitamos é a idade. Mas não há um número rigoroso de horas de sono que se aplique a todas as pessoas da mesma faixa etária.
Os recém-nascidos são quem mais dorme – entre 16 a 20 horas diárias, distribuídas pelo dia e pela noite, sendo que nas primeiras semanas é natural que acordem de três em três ou de quatro em quatro horas para serem alimentados, o que é fundamental para o ganho de peso.

