Sonos perturbados
Uma pessoa que acorda com a sensação de não ter descansado o mais provável é que não tenha tido, de facto, uma boa noite de sono. E o mais provável é que o seu dia se ressinta dessa falta de descanso.
Em anúncios de televisão, em filmes e desenhos animados, a imagem de alguém deitado, de olhos abertos, a contar carneiros é das mais comuns quando se retrata a dificuldade em conciliar o sono. É alguém que devia estar a dormir mas não está: ou porque não conseguiu sequer adormecer ou porque acordou durante a noite ou cedo demais e tenta aproveitar as horas que ainda faltam até ao levantar.
É provável que a pessoa que assim conta carneiros, esperando adormecer perante tão fastidiosa tarefa, sofra de insónia, a principal perturbação do sono. Na origem pode estar um problema relacionado com o próprio sono ou um problema de outra natureza, como a ansiedade ou depressão.
Independentemente da causa, a insónia pode ser de tal forma desgastante e frustrante que há pessoas para quem a simples ideia de terem de se deitar é suficiente para as deixar num extremo estado de ansiedade. São pessoas que sofrem daquilo a que se chama “insónia aprendida”. Esta ansiedade cria uma predisposição para a insónia, que pode ocorrer após várias noites sem dormir ou mal dormidas, e que condiciona um receio em relação à noite devido à expectativa de não conseguirem conciliar o sono.
Quando a noite não chega…
No mundo dos distúrbios do sono a insónia não está sozinha. Porque, tal como há quem se queixe de ter sono a menos, também há quem se queixe de sono a mais. Neste caso, são pessoas que sofrem de hipersónia, o mesmo é dizer que apresentam uma excessiva sonolência diurna. Andam sempre com sono e até podem adormecer nos lugares mais inesperados e inoportunos.
São, contudo, em menor número.
Ambos os distúrbios têm um denominador comum – andam associados a noites mal dormidas. Por vezes, a sonolência diurna decorre de maus hábitos em relação ao sono, como adormecer em frente à televisão, e a tendência para dormir cada vez menos horas, tentando compensar ao fim-de-semana.
Um tipo de hipersónia, mas menos frequente, é a narcolepsia, que se traduz numa vontade irresistível de dormir. É um acesso súbito de sono, tão súbito e irresistível que as pessoas adormecem mesmo, chegando a dormir em pé e a cair(devido à perda de tónus muscular).
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São pessoas com dificuldade de concentração durante o dia, que nunca se sentem completamente acordadas e que, por vezes, acabam por ser rotuladas como “preguiçosas”.
As perturbações do sono podem prejudicar o quotidiano e, até, aumentar o risco de acidentes, podendo colocar a vida em risco. São, por isso, situações que carecem de avaliação médica no sentido de um diagnóstico e tratamento adequados.
Contudo, também beneficiam de algumas medidas ao nível dos hábitos de sono (ver caixa): são alterações simples mas que em algumas situações podem ser suficientes para reconquistar o prazer de uma noite descansada.

