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Sono: Não deixe para amanhã o que pode dormir hoje

5 Janeiro, 2010 0

Os ritmos de vida actuais, marcados pelo frenesim do trabalho e o stress exacerbado, são alguns dos motivos que nos podem tirar o sono. Dormir bem, dizem os especialistas, é o melhor remédio para enfrentar as dificuldades que se apresentam à luz do dia.

Todos os humanos sabem, por experiência própria, que uma boa noite de sono pode ser totalmente reparadora. Mesmo sem darmos conta, enquanto dormimos, o nosso cérebro activa processos de memória e de resolução de conflitos, através dos sonhos. Por este motivo, costuma-se até dizer que “a almofada é a melhor conselheira”. Isto porque nos ajuda a colocar as ideias no lugar e a encontrar soluções para enfrentar os problemas.

Mas, apesar de dormir ser uma necessidade fisiológica que nos mantém saudáveis por dentro e por fora, existem situações do dia-a-dia que nos privam de usufruir do merecido descanso.

Basta ver, por exemplo, que as exigências do mundo laboral elevam, cada vez mais, a fasquia dos objectivos. E, em razão disso, os horários prolongam-se por mais tempo, para se conseguir cumprir os prazos impostos pelo trabalho.

“Infelizmente, um dos preços que temos de pagar pela vida moderna é o estabelecimento de ritmos alheios à nossa fisiologia original”, diz Miguel Meira e Cruz, médico dentista, com especialização na área do sono. O trabalho por turnos, as maratonas de trabalho noite fora e as viagens intercontinentais (responsáveis pelo tão falado fenómeno do jet lag), obrigam a algumas trocas de horários. E, muito embora se tente compensar durante o dia, as pessoas que, repetidamente, atropelam o sono nocturno vão “estar sempre em situação de desvantagem”, continua.

O organismo é comandado por ritmos circadiários (em torno de um dia) – sincronizados com o nascer e o pôr-do-sol -, que alternam entre o estado de sono-vigília. “O corpo está programado para se manter acordado de dia e, à noite, repousar. Quando se alteram os horários, os relógios internos ficam desregulados”, explica a neurologista Teresa Paiva, especialista na área do sono e responsável pelo primeiro mestrado a nível mundial nesta área.

Já Marta Gonçalves, secretária da Associação Portuguesa do Sono (APS), esclarece, também, que “quando não se dorme o necessário – ou nos horários mais adequados -, a privação do sono origina uma sensação de fadiga, irritabilidade, problemas de concentração e diminuição da produtividade”.

 

O sono comanda a vida

O sono (palavra que vem do latim somnu) é, como explica Teresa Paiva, “um estado comportamental e de consciência”, durante o qual se regista uma redução da actividade motora”. Ao longo de milhões de anos, o sono tem tido um papel determinante na sobrevivência de todos os animais, sendo, por isso, considerado um mecanismo protector do cérebro e de reequilíbrio orgânico.

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Vários estudos experimentais, realizados em animais, verificaram que a privação do acto de dormir, por períodos prolongados de tempo, pode ser fatal.

“Durante o sono, são produzidas hormonas que ajudam na regeneração dos tecidos. E mais: enquanto dormimos, são activados os processos imunológicos: as nossas defesas são restabelecidas no período de descanso”, garante Teresa Paiva.

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