Sono: Não deixe para amanhã o que pode dormir hoje
Ao longo da noite, o sono vai percorrendo duas fases. Começa por ser um sono lento (designado por NREM: non rapid eyes movement), em que há um abrandamento da actividade cerebral, uma redução da tensão arterial, uma baixa da temperatura do corpo e os músculos tornam-se inactivos. Numa primeira etapa, apesar de as pálpebras já se terem fechado, ainda mantemos uma ligação com o ambiente circundante. É aquilo que se conhece por limbo ou “sono artificial”.
Progressivamente, entra-se no estádio 3 do sono NREM (segundo a nova classificação), vulgo “sono lento profundo”. É “nesta fase que a hormona de crescimento é produzida”, continua a neurologista, e que o corpo recupera do cansaço diurno. Depois, inicia-se o sono REM (rapid eyes movement). Neste status, apesar de o “corpo estar completamente paralisado”, a actividade do cérebro reactiva-se proporcionando “a capacidade de sonhar”, acrescenta.
Distúrbios do sono
De acordo com a classificação internacional, estão identificadas, até ao momento, perto de 90 doenças que “atormentam” o sono. Em Portugal, a queixa mais frequente é a insónia. Segundo adianta Teresa Paiva, a dificuldade em adormecer afecta cerca de 20% da população portuguesa. Deentre as patologias do sono mais recorrentes, encontram-se, ainda, a narcolepsia (sonolência excessiva durante o dia), a roncopatia e as apneias. Estas últimas atingem “2 a 4% da população adulta masculina e 1 a 2% da população adulta feminina”, conforme indica a mesma especialista.
Segundo explica Miguel Meira e Cruz, “as apneias obstrutivas do sono (interrupção respiratória ao longo da noite de sono, com uma duração superior a 10 segundos), podem assumir a forma de síndrome, quando surgem mais de 5 vezes por hora de sono”. Sendo maiscomuns em indivíduos obesos, estas resultam do constrangimento das vias aéreas superiores.
“Uma outra forma de apneia (a apneia central), pode surgir aquando da falta de informação do cérebro aos músculos respiratórios, impedindo o diafragma de se contrair.” Na sindrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), por haver um grande esforço torácico, “a pressão exercida sobre o músculo cardíaco vai ser mais elevada”. E, em virtude da qual, “aumenta a probabilidade de ocorrer um evento cardiovascular ou uma paragem cardiorrespiratória”.
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Richard Statts, pneumologista, adianta que a hipótese de sofrer de apneia do sono é ampliada pelo índice de massa corporal. “Há um estudo que aponta para uma redução de 50% de apneias, apenas com a diminuição de 20% de peso.” Os tratamentos da apneia, confirma o especialista, têm de ser “avaliados caso a caso”.
No entanto, prossegue, “as soluções poderão estar ao alcance do aparelho CPAP (pressão aérea contínua positiva) ou da utilização de dispositivos intra-orais, que, ao aliviarem o bloqueio respiratório, facilitam a função, diminuindo os riscos associados à doença”.
5 Mandamentos para dormir melhor:
> Evitar a ingestão de café ou compostos de cafeína durante o final da tarde e à noite;
> Não realizar trabalhos intelectuais perto da hora de dormir, nomeadamente quando está implicado com tarefas de computador;

