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Sono: Não deixe para amanhã o que pode dormir hoje

5 Janeiro, 2010 0

O sono (palavra que vem do latim somnu) é, como explica Teresa Paiva, “um estado comportamental e de consciência“, durante o qual se regista uma redução da actividade motora”. Ao longo de milhões de anos, o sono tem tido um papel determinante na sobrevivência de todos os animais, sendo, por isso, considerado um mecanismo protector do cérebro e de reequilíbrio orgânico.

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Vários estudos experimentais, realizados em animais, verificaram que a privação do acto de dormir, por períodos prolongados de tempo, pode ser fatal.

“Durante o sono, são produzidas hormonas que ajudam na regeneração dos tecidos. E mais: enquanto dormimos, são activados os processos imunológicos: as nossas defesas são restabelecidas no período de descanso”, garante Teresa Paiva.

Ao longo da noite, o sono vai percorrendo duas fases. Começa por ser um sono lento (designado por NREM: non rapid eyes movement), em que há um abrandamento da actividade cerebral, uma redução da tensão arterial, uma baixa da temperatura do corpo e os músculos tornam-se inactivos. Numa primeira etapa, apesar de as pálpebras já se terem fechado, ainda mantemos uma ligação com o ambiente circundante. É aquilo que se conhece por limbo ou “sono artificial”.

Progressivamente, entra-se no estádio 3 do sono NREM (segundo a nova classificação), vulgo “sono lento profundo”. É “nesta fase que a hormona de crescimento é produzida”, continua a neurologista, e que o corpo recupera do cansaço diurno. Depois, inicia-se o sono REM (rapid eyes movement). Neste status, apesar de o “corpo estar completamente paralisado“, a actividade do cérebro reactiva-se proporcionando “a capacidade de sonhar”, acrescenta.

 

Distúrbios do sono

De acordo com a classificação internacional, estão identificadas, até ao momento, perto de 90 doenças que “atormentam” o sono. Em Portugal, a queixa mais frequente é a insónia. Segundo adianta Teresa Paiva, a dificuldade em adormecer afecta cerca de 20% da população portuguesa. Deentre as patologias do sono mais recorrentes, encontram-se, ainda, a narcolepsia (sonolência excessiva durante o dia), a roncopatia e as apneias. Estas últimas atingem “2 a 4% da população adulta masculina e 1 a 2% da população adulta feminina”, conforme indica a mesma especialista.

Segundo explica Miguel Meira e Cruz, “as apneias obstrutivas do sono (interrupção respiratória ao longo da noite de sono, com uma duração superior a 10 segundos), podem assumir a forma de síndrome, quando surgem mais de 5 vezes por hora de sono”. Sendo maiscomuns em indivíduos obesos, estas resultam do constrangimento das vias aéreas superiores.

“Uma outra forma de apneia (a apneia central), pode surgir aquando da falta de informação do cérebro aos músculos respiratórios, impedindo o diafragma de se contrair.” Na sindrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), por haver um grande esforço torácico, “a pressão exercida sobre o músculo cardíaco vai ser mais elevada”. E, em virtude da qual, “aumenta a probabilidade de ocorrer um evento cardiovascular ou uma paragem cardiorrespiratória”.

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Richard Statts, pneumologista, adianta que a hipótese de sofrer de apneia do sono é ampliada pelo índice de massa corporal. “Há um estudo que aponta para uma redução de 50% de apneias, apenas com a diminuição de 20% de peso.” Os tratamentos da apneia, confirma o especialista, têm de ser “avaliados caso a caso”.

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