Maria Luísa Branco, Presidente da Respira: “Os sintomas já existiam mas passaram a ter um nome”
Dois maços de tabaco por dia. Fumadora desde os 20 anos. Maria Luísa Branco aceitou partilhar a sua história clínica com os leitores do Jornal do Centro de Saúde. “Tinha falta de ar, cansava-me a subir escadas e continuava a fumar”, explica. Actualmente, sofre de DPOC.
Pediu a reforma por invalidez. Precisa de oxigénio para viver com melhor qualidade de vida. Não voltou a tocar num cigarro. Lembra-se da data em que o tabaco deixou de fazer parte da sua vida: 15 de Abril de 2001, o dia em que entrou no Hospital de São José. Maria Luísa Branco é Presidente da associação Respira, criada há um ano, com o objectivo de ajudar doentes com patologias respiratórias.
Como descobriu que sofria de DPOC?
Desde há muitos anos que tinha o diagnóstico de bronquite asmática. Como todas as pessoas, tinha falta de ar, cansava-me a subir as escadas e continuava a fumar. Os fumadores atribuem sempre o cansaço a tudo: ao stress, à vida, a inúmeras outras razões, menos ao fumo. Sou fumadora desde os 20 anos.
Dois maços por dia. Em 2001, tive uma crise que começou com uma sensação de não conseguir respirar bem e um pouco de enfartamento. Fui parar às urgências de São José. Como não estabilizei durante a noite, fui transferida para o Hospital de Santa Marta, onde estive durante três semanas e de onde saí com o diagnóstico de DPOC. Já tinha os sintomas da DPOC, mas menosprezava-os e continuava a fazer a minha vida normal.
Já conhecia a doença antes de lhe ter sido feito o diagnóstico?
Nunca soube o que era DPOC. Conhecia sim o que era enfisema pulmonar porque o meu pai tinha essa doença e também era fumador.
Deixou de fumar quando descobriu a doença?
Deixei de fumar a 15 de Abril de 2001, o dia em que entrei no Hospital de São José. Não voltei a pegar num cigarro desde esse data. Deixei de frequentar sítios com fumo porque me sentia mal.
Que complicações é que a doença trouxe à sua vida?
Na altura em que me foi diagnosticada a doença, não senti grandes modificações na minha vida. Era psicóloga numa instituição para pessoas com deficiência mental e continuei a trabalhar as mesmas dez a doze horas por dia.
Em 2006, tive uma gripe e da cama de casa passei para a cama da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente, de onde já saí com dezoito horas de oxigénio por dia. Após este episódio, fui obrigada a solicitar reforma por invalidez.
Como é o seu dia-a-dia com a utilização de oxigénio?
Durmo com o oxigénio porque fui submetida a um estudo da apneia do sono que concluiu que perdia oxigénio em repouso. Preciso fazer dezasseis horas diárias, a um litro por minuto.
Caso tenha de fazer algum esforço suplementar, ou exercício físico, aumento o nível para dois litros. Também preciso de o utilizar quando saio à rua..
Sentiu algum constrangimento por começar a usar oxigénio na rua?
Considero que o benefício é maior do que o constrangimento das pessoas olharem para nós na rua. Olham porque é diferente…
Como é que aprendeu a lidar com uma doença crónica?
O diagnóstico confirmou os sintomas que tinha – cansaço a andar, sentir-me ofegante, não conseguir subir escadas, etc. Os sintomas já existiam mas passaram a ter um nome.
Como tem sido o apoio da sua família?
O apoio da família tem sido fundamental. Se as pessoas que estão ao nosso lado souberem como ajudar-nos a respirar melhor, automaticamente acalmamo-nos. As crises podem ser inesperadas e a família é essencial para auxiliar-nos e para que não se entre em pânico.
Quais os principais objectivos da Respira, associação que preside?
A Respira faz agora um ano. O Dia Mundial da DPOC de 2006 anunciou o lançamento desta associação. Constituímo-nos legalmente no passado dia 9 de Fevereiro e já contamos com 180 associados.

