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Sida: Risco aumenta entre os maiores de 55 anos

28 Dezembro, 2007 0

A não utilização do preservativo em relações heterossexuais é a principal causa da transmissão do vírus VIH entre os maiores de 55 anos. Esses casos já representam 7,5% das notificações do vírus e a tendência “é para o aumento, sobretudo entre as mulheres”, segundo informação da epidemiologista Teresa Paixão, do Instituto Ricardo Jorge, presente num debate sobre a sida, promovido pelo Grupo de Apoio e Desafio à Sida.

Até hoje, muitas pessoas pensam que o vírus da sida afecta sobretudo os grupos de risco, como os homossexuais ou as pessoas que se prostituem. No entanto, a epidemia da sida mostra que todos nos devemos preocupar: homens, mulheres, jovens, idosos, casados, solteiros, independentemente da sua raça, cor, situação económica ou orientação sexual. Desengane-se também quem pensa que nas idades a partir dos 55 anos não há vida sexual activa.

“Desde o aparecimento do Viagra que isso é mentira”, defende José Vera, responsável do Centro de Dia do Hospital de Cascais. Para uma adequada prevenção, todos devem usar preservativo nas relações sexuais e apenas agulhas e seringas descartáveis, no caso dos toxicodependentes.

Para evitar que a doença se transmita de mãe para filho, todas as grávidas devem consultar o seu médico o mais cedo possível e fazer o teste da sida.

“É necessário haver um grande debate entre os jovens sobre o problema da transmissão sexual. Além do VIH, existem outros micro-organismos que são transmitidos por via sexual”, defende Teresa Paixão.

São os jovens com cerca de 15 anos e as mulheres em idade mais avançada a ocupar as taxas mais elevadas de incidência portuguesa do HIV, no que respeita a novos casos. Para a epidemologista do Instituto Ricardo Jorge, é fundamental que “os jovens saibam o que são comportamentos de risco. São eles que têm de fazer a barreira para impedir a infecção do VIH e de outras patologias.

É imprescindível haver um conhecimento mais profundo desta questão”. As infecções sexualmente transmíssiveis podem trazer graves problemas de saúde e “aumentam 18 vezes a possibilidade de contrair o VIH”, alerta a Coordenação Nacional para a infecção VIH/Sida.

A epidemologista do Instituto Ricardo Jorge garante que não existe a noção exacta do número dos diagnósticos reais. No entanto, entre os que estão registados pelo Ministério da Saúde, 7,5% corresponde aos portadores do vírus da sída com mais de 55 anos, o que significa que, entre a população portuguesa, há 1764 casos notificados, onde predomina a transmissão sexual entre heterossexuais. “Este número tende a aumentar progressivamente, particularmente entre as mulheres, cujo número de casos tem vindo a acentuar-se em 2006 e 2007”, adiantou.

A prevista adopção de testes rápidos da sida em urgência e outras unidades de saúde poderá contribuir para um melhor diagnóstico, mas é também fundamental reunir profissionais de todas as especialidades para melhor fomentar a interiorização do assunto.

Estes testes “são fundamentais para contribuir para um maior diagnóstico e para uma melhor situação em Portugal sem prejuízo das pessoas serem depois reencaminhadas para os serviços competentes”, conclui Teresa Paixão.

Aumento de divórcios e falta de uso de preservativo

Segundo José Vera, a transmissão heterossexual deve-se ao facto “das pessoas estarem cada vez mais sós e desenvolverem relações ocasionais sem a utilização de preservativo”.

O especialista acrescenta ainda que “o divórcio tem aumentado em Portugal, o que justifica algumas destas relações ocasionais”. Por outro lado, no que respeita aos relacionamentos estáveis, “a infecção só é diagnosticada muito tarde e há maior dificuldade de reconhecer que as pessoas podem estar infectadas”.

Esta realidade origina um diagnóstico muito tardio. “Quem é apanhado numa infecção já em fase avançada, leva a que, o prognóstico, a probabilidade de morte e de complicações seja francamente maior, enquanto que, se houver um diagnóstico precoce, já se consegue controlar muito mais facilmente a infecção.

Neste intervalo entre a infecção e o diagnóstico, as pessoas transmitem grande parte das infecções”, fundamenta o José Vera. Por outro lado, a não utilização do preservativo deve-se sobretudo à rejeição da ideia de que o parceiro possa ter relações extraconjugais. O responsável do Centro de Dia do Hospital de Cascais lamenta “a falta de abertura e o tabu.

Não há nenhum grupo de pessoas que não tenha preconceitos. É incómodo suspeitar do outro”, fundamentando ainda que “não vale a pena dizer que os comprimidos azuis e a mini-saia é que foram os responsáveis, porque algumas pessoas continuam a não associar a actividade sexual com o risco e a manter ideias de que o preservativo incomoda e tira a potência”.

Actualmente, vive-se “um fenómeno que não vai parar e cuja dimensão só vamos ver daqui a alguns anos. Vai haver um reservatório da infecção em Portugal”, conclui.

Para esclarecimento de dúvidas, contacte a linha Sida através do número
800 266 266.

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