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Leucemias e linfomas: Sangue do meu sangue

30 Setembro, 2009 0
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Mas, independentemente do tipo de tumor sanguíneo, a quimioterapia aparece sempre como o tratamento de primeira linha. “O transplante de medula óssea só está indicado para doentes que não se curaram com a quimioterapia inicial ou em casos mais raros de linfomas e leucemias agudas de mau prognóstico”, fundamenta o especialista. “No mieloma múltiplo (doença da medula óssea) é habitual realizar-se, por sistema, o auto-transplante de células estaminais nos doentes com menos de 70 anos e com bom estado geral.”

O termo transplante de medula óssea “tem sido progressivamente substituído por transplante de células estaminais (células-mãe do sangue e outros tecidos)”. Isto porque as células tanto “são colhidas na medula óssea por picada nos ossos da bacia, como no sangue periférico, com a máquina de citaferese”.

Este procedimento envolve, porém, várias dificuldades. Tratando-se de um transplante autólogo, com células provenientes do próprio doente, há um risco de as células “infundidas” no doente, depois da quimioterapia, poderem conter, ainda, células malignas residuais. “No caso de um dador familiar ou de um voluntário, terá de haver compatibilidade de tecidos, o que dificulta a doação. Neste caso podem surgem complicações muito graves como a rejeição, as infecções e a reacção de enxerto contra-hospedeiro.” O objectivo dos médicos é tratar e curar o doente com quimioterapia, razão pela qual “não é habitual colocar a indicação de quimioterapia intensiva e transplante de células estaminais à cabeça”, refere.

 

O que dizem as estatísticas?

O linfoma de Hodgkin é uma patologia relativamente rara, que afecta anualmente cerca de 3 pessoas por cada cem mil habitantes. Já o linfoma não-Hidgkin atinge entre 15 a 20 novos casos por cem mil habitantes.”

As leucemias agudas no seu conjunto rondam os sete e os 10 casos por cada cem mil habitantes/ano, ao passo que as leucemias crónicas afligem 10 pessoas/cem mil habitantes por ano.

Banco público do cordão já é uma realidade em Portugal

O Ministério da Saúde deu, recentemente, luz verde para se avançar oficialmente com o banco público do cordão umbilical. Este projecto já entrou em funcionamento em Julho deste ano e prevê a criopreservação de amostras do sangue do cordão umbilical fornecidas voluntariamente por parturientes. As amostras, registadas numa base de dados, ficam disponíveis para transplante. “São dádivas não dirigidas integradas numa rede mundial, à semelhança do que acontece com os dadores de medula óssea”, refere a Dr.ª Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte.

“O sangue do cordão umbilical apresenta uma série de vantagens comparativamente aos dadores adultos de medula óssea. Até agora, os progenitores que não optassem pela criopreservação em bancos privados deitavam fora o sangue do cordão umbilical. Uma vez que a tutela aprovou a decisão de se avançar com um banco público, estamos em fase de divulgação junto das grávidas desta nova possibilidade de aproveitamento. Com estas dádivas, poderá ser mais fácil salvar vidas.”

Neste momento, o Banco Público estabeleceu um objectivo de três mil colheitas por ano. E em sete anos, espera-se ter perto de 20 mil amostras. “Quando as colheitas não tiverem o volume suficiente, mesmo que cumpram os critérios de biosegurança, as amostras serão disponibilizadas para investigação. No futuro, estas amostras podem vir a ser utilizadas na medicina regenerativa.”

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