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Violência: Diga não!

6 Outubro, 2014 0

As escolas são, cada vez mais, propensas a situações de violência. Agressões físicas e psicológicas, como o insulto, a provocação ou a marginalização, são uma realidade com maior risco num contexto de maiores pressões económicas e sociais. Diga não! ao bullying.

Quantas crianças são constantemente insultadas, agredidas ou excluídas das brincadeiras por outros colegas? Infelizmente, muitas. Cada vez mais. Nos corredores, balneários, recreios ou casas de banho, o bullying propaga-se, traduzindo relações complicadas entre pares. Já lá vão 18 anos desde que o psicólogo norueguês Dan Olweus definiu o conceito em três pontos: (i) o comportamento é agressivo e negativo; (ii) o comportamento é executado repetidamente; (iii) o comportamento ocorre num relacionamento em que há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

Esta violência é exercida como uma demonstração de poder, tanto por rapazes como por raparigas, ainda que eles e elas apresentem comportamentos de controlo distintos. O uso da provocação e da coacção física e psicológica é mais típica dos rapazes, ao passo que as raparigas tendem a recorrer a formas mais dissimuladas, como lançar rumores, agredir verbalmente e manipular.

Há mesmo jovens que são vítimas e agressores. Gozar, troçar, chamar nomes, dizer mentiras, espalhar boatos, fazer comentários e gestos ordinários, excluir das actividades de grupo intencionalmente, empurrar, puxar, bater são manifestações de bullying, com óbvios prejuízos para o desenvolvimento de agressores e vítimas.

 

Crescimento disfuncional

Ao contrário do que muitas pessoas admitem, estes comportamentos nada têm a ver com um normal processo de crescimento. Tantas vezes que as reacções a relatos e queixas é desdramatizar com expressões como “faz parte”, “são coisas de crianças”, “têm de aprender a defender-se” ou “eles entendem-se”. Só que o bullying extravasa as fasquias de agressividade razoáveis da infância ou das brincadeiras próprias destas idades.

É impossível legitimar os comportamentos de bullying, porque são perigosos ao perpetuar a violência. Desvalorizar as agressões é aceitar a violência, o que é nocivo numa altura da vida, como a infância e adolescência, em que se estão a formar personalidades.

Para a vítima, o bullying é devastador. Uma criança constantemente ridicularizada, agredida ou excluída sente-se mal, sabe que está a ser provocada mas nem percebe porquê. E sofre. E face à agressão pode evoluir para dois tipos de comportamentos: ou interioriza o papel de vítima ou veste a pele de agressor, provocando e agredindo outras crianças, num ciclo de degradação.

De uma forma ou de outra, a vítima cala-se, sofre em silêncio, seja porque tem vergonha, seja porque tem medo. A segurança e a auto-estima sofrem danos óbvios, com risco de escolhas perigosas, como o absentismo escolar, a experimentação e consumo do álcool e de drogas e actos delinquentes.

No limite, podem ocorrer tentativas de suicídio.

[Continua na página seguinte]

Bullying é…

Verbal: chamar nomes, ser sarcástico, lançar calúnias ou gozar com alguma característica particular do outro (“gordo”; “caixa de óculos”; “trinca-espinhas”)

Físico: puxar, pontapear, bater, beliscar ou outro tipo de violência física

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