Vacinação: Defender o forte
Quando se diz a uma criança que vai levar vacina é possível que ela se encolha e até que proteste. Talvez porque a vacina esteja associada a agulhas, uma imagem sempre pouco agradável no imaginário infantil. Mas o que essa criança talvez não saiba ainda é que, vacinada, está mais protegida contra uma mão-cheia de doenças.
BCG – são três letras apenas, mas que estão na memória de todos nós. Afinal, representam a primeira das vacinas que se tomam ao longo da vida. É ministrada logo após o nascimento, ainda na maternidade, oferecendo protecção contra a tuberculose.
Não é, porém, a única a ser dada nos primeiros tempos de vida: recentemente juntou-se-lhe a primeira dose da VHB, a vacina que defende da infecção pelo vírus da hepatite B.
Por ser tão precoce, esta é uma experiência de que as crianças não se lembram. Mas a vacinação vai fazer parte da sua rotina de vida até aos 10-13 anos. Vão receber protecção contra doenças como a poliomielite, a difteria, a tosse convulsa, o tétano, o sarampo, a papeira, a rubéola e a meningite, para só nomear algumas. Alguns nomes são difíceis de pronunciar quando se é pequeno, pelo que é provável que as crianças retenham apenas a palavra vacina. Que, com frequência, é sinónimo de agulhas, o que pode não ser uma ideia muito agradável nestas idades…
Mas há que desmistificar o medo das agulhas e, com ele, o medo das vacinas. Criando um ambiente de tranquilidade em torno da ida ao centro de saúde e explicando – com conteúdos e linguagem adaptados à idade da criança – quais os benefícios daquela vacina e das vacinas em geral.
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Vacinar é prevenir
Explicar, por exemplo, que o organismo infantil é como um forte que os inimigos tentam conquistar – os inimigos são os vírus causadores das infecções. E para defender o forte é preciso chamar reforços – as vacinas. Assim o inimigo não entra.
É uma explicação simples e acessível – os rapazes vão percebê-la logo e as raparigas também, mesmo que não brinquem às guerras…
Afinal, a explicação não anda longe da realidade. A vacinação mais não é do que a principal arma contra doenças que, em tempos idos, causavam a morte a populações inteiras. Actua preventivamente, evitando a infecção ou, mesmo quando não é possível evitá-la por completo, diminuindo a sua gravidade. Com a vantagem de cada vacina ser tomada, no máximo, três vezes ao longo da vida – só há uma excepção, a da difteria e tétano, que deve ser renovada a cada dez anos.
As vacinas são, a par dos medicamentos, das maiores invenções da Humanidade. São produzidas a partir de parcelas dos mesmos agentes infecciosos que visam combater: formam-se substâncias quimicamente semelhantes a esses agentes. Quando entram no organismo, o sistema imunitário reconhece-as, reagindo como se tivesse sido mesmo infectado: são produzidos anticorpos que se destinam a combater a infecção, com a diferença de que não há infecção – a este fenómeno dá-se o nome de imunidade. Ou seja, o organismo fica protegido contra aquela doença específica. Se, mais tarde, estiver em contacto com essa infecção, os anticorpos actuam rapidamente, impedindo a doença de se desenvolver ou, pelo menos, reduzindo a sua gravidade.
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