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Saúde infantil: Quando o coração precisa de ajuda

26 Outubro, 2011 0

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Desmistificar mitos antigos

São várias as informações erróneas que circulam na cultura popular da nossa sociedade associadas ao uso de um pacemaker. Conceição Trigo desmistifica alguns deles. “Um dos maiores medos das famílias dos portadores de pacemaker é que este deixe de funcionar subitamente”, refere. “Esta situação não acontece e nas consultas de seguimento é avaliado o estado da bateria, o que permite evitar qualquer surpresa.” Ideias formadas de que um utilizador de pacemaker não pode aproximar-se de aparelhos eléctricos são igualmente falsas, como clarifica Conceição Trigo. “Nas actividades quotidianas, o pacemaker não induz limitações, e actualmente podem ser utilizados na proximidade todos os dispositivos electrónicos domésticos (telemóveis, microondas, playstation…), sem risco de interferência.”

Existem, sim, alguns cuidados a ter. “O portador de pacemaker não deve ser sujeito aos arcos de detecção de metais, pelo risco do campo electromagnético em que operam interferir com a programação” do aparelho, avisa a especialista. De igual forma, “a realização de ressonância magnética está também interdita a estes doentes, embora actualmente existam já novos dispositivos que permitem a realização deste exame”, conclui.

Outra dúvida bastante recorrente prende-se com a duração de vida de um pacemaker. O tempo exacto de substituição do gerador de um pacemaker varia consoante as condições clínicas do paciente, do seu estilo de vida, entre muitos outros factores. De qualquer forma, quando o gerador necessitar de ser substituído, é feita uma intervenção mínima, onde apenas se reabre a pele de modo substituir o mesmo, não sendo necessário proceder à mudança de todo o sistema.

 

Um caso de vida

Marina Moreira estava no quinto mês de gravidez quando o médico obstetra detectou que, por vezes, existia a falha de uma batida cardíaca, o que levou a que começasse a ser seguida no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. Marina conseguiu manter-se calma perante a situação: “O bebé era grande e continuava a crescer, e a gravidez era tranquila, pelo que apenas existia uma pequena inquietação associada a toda a novidade de, em breve, sermos pais”, relembra.

A gravidez correu bem e Emanuel, nome escolhido para o pequeno lutador, nasceu sem problemas de maior. A implantação do pacemaker foi feita aos 9 meses de idade, “o que levou a que não tivesse qualquer noção do que se estava a passar, nem nós lho conseguiríamos explicar, nessa altura da sua vida”, afirma Marina.

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Uma vida familiar diferente?

A implantação do pacemaker acabou também por ser uma surpresa para os pais, uma vez que a cirurgia que estava prevista tinha apenas como objectivo fechar a comunicação entre os ventrículos. No decorrer da mesma, o cirurgião, o Prof. Dr. Pedro Magalhães, decidiu (e, pelo resultados, muito bem) “que o implante do pacemaker era essencial para que o Emanuel tivesse uma boa qualidade de vida”. A explicação de todo o processo ao Emanuel foi feita de uma forma gradual.

“À medida que ele foi crescendo e tendo mais capacidade para compreender as coisas, fomos-lhe dando explicações para o seu estado clínico, até decorrentes de perguntas que ele próprio ia fazendo, devido às cicatrizes e de alguns alertas direccionados a ele, mas que ele não observava a serem aplicados ao irmão.” O Rafael (irmão mais novo) tem agora 12 anos; o Emanuel, 14. O problema detectado durante a gravidez do Emanuel não foi impedimento para uma segunda gravidez planeada e desejada, como nos diz Marina: “Poderia voltar a acontecer o mesmo, mas ainda assim quisemos ser optimistas, e o Rafael nasceu sem qualquer problema”.

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